PF detalha triangulação de R$ 19 milhões, repasse pessoal de Mario Frias e notas frias em filme sobre Bolsonaro

mário frias
Foto: Reprodução

Uma transferência direta de R$ 645.400,00 feita pelo próprio deputado federal Mario Frias (PL-SP) em favor da Go Up Entertainment – produtora do filme “Dark Horse” -, em um intervalo menor que 60 dias, é uma das principais revelações do relatório da Polícia Federal (PF) que teve o sigilo retirado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A peça aponta que a transação não possui lastro financeiro e é totalmente incompatível com a renda mensal do parlamentar, fixada em R$ 44.008,52.

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A devassa bancária na produtora mantida pela empresária Karina Ferreira da Gama revelou que a Go Up movimentou R$ 19.033.071,00 entre 10 de novembro e 30 de dezembro. A janela de tempo coincide com o cronograma das filmagens da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro em São Paulo, realizadas entre 20 de outubro e 7 de dezembro. Nos registros do Coaf, a produtora computou R$ 8,9 milhões a crédito e R$ 10 milhões a débito, incluindo um aporte de R$ 1 milhão efetuado por Marcello Lopes, ex-marqueteiro atuante na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Circuito fechado

A Polícia Federal mapeou a rota do dinheiro público originado de duas emendas destinadas por Mario Frias ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, que somaram R$ 2 milhões. O valor não foi aplicado diretamente pela entidade, mas direcionado à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional, empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico gerido por Heric Dias. Em seguida, a empresa NTT Brasil, também vinculada a Dias, repassou R$ 750 mil para a Go Up.

Para os investigadores, o trajeto circular demonstra uma atuação coordenada para simular transações de mercado e camuflar verba pública. O dinheiro cobriu despesas diretas das gravações em São Paulo, como hospedagens em hotéis de alto padrão, refeições e contratos com produtoras parceiras.

O relatório identificou ainda que os deputados federais Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF) assinaram indicações orçamentárias de R$ 1 milhão e R$ 150 mil para a Academia Nacional de Cultura (ANC), outra entidade gerida por Karina Gama. As verbas, não pagas, destinariam-se a projetos em São Paulo, o que descumpre o princípio de vinculação geográfica das emendas para parlamentares eleitos por MS e DF.

Contexto 

Os dados detalhados pelo relatório integram o acervo de provas da Operação Make Up, deflagrada pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU) para cumprir 49 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Flávio Dino, do STF, no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. As buscas atingiram o ICB, a ANC e endereços de Frias e Karina Gama. Dino também determinou a retenção do passaporte de Mario Frias, proibição de deixar o país e bloqueio de contato entre os investigados.

A apuração sobre as emendas conecta-se a frentes sobre aportes privados na obra. O filme “Dark Horse” entrou no radar após a revelação de repasses de R$ 61 milhões efetuados por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, atualmente preso em Brasília – negociação intermediada pelo senador Flávio Bolsonaro. 

Até o momento, as defesas de Mario Frias e Karina Gama não se manifestaram sobre os desdobramentos.

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