{arquivo}O ex-Ministro José Dirceu nos assegurou ontem que, terminado o Julgamento do Mensalão, atualmente em curso no Supremo Tribunal Federal vai assumir um processo de luta em busca de Justiça diante do encaminhamento dado pela maioria dos ministros para sua condenação – o que ele diz acatar, mas jamais se curvará ao contexto, porque insiste em ratificar que não há uma única prova nos autos processuais a justificar tamanha decisão da Corte suprema.
Por telefone, em rápido contato com o Colunista, Zé Dirceu lembrou que manterá a chama acesa, primeiro para superar o momento de punição ferindo princípios constitucionais diante de um Julgamento político, depois para ajudar o País a ampliar as conquistas sociais, através do PT e dos aliados.
– Em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha – lamenta o ex-ministro em nome enviada ao WSCOM e à minha pessoa ratificando que “fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência”.
Em breve, ele estará percorrendo o Brasil. “E vou ao Nordeste, onde tenho outra forma de tratamento e compreensão sobre que os conservadores fizeram estabelecer contra minha pessoa”.
Eis, a seguir, a nota de Zé Dirceu:
AO POVO BRASILEIRO
“No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do 30º Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.
Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.
Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.
Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.
Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.
Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.
A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.
Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.
Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.”
Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.
Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.
SALDO DE TUDO
Como já disse em outras oportunidades, corroboro com a essência da exposição de Zé Dirceu, punido sem uma única prova cabal.
Este é o Brasil distante do Direito Soberano quando se politiza a Justiça.
ÚLTIMA
“Amanhã vai ser outro dia…”
