Torcedor chamado para depor sobre injúria racial diz ter sido confundido

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 Na manhã desta terça-feira (2), dois suspeitos de cometer atos de injúria racial contra o goleiro Aranha, do Santos, na última quinta-feira, na Arena, foram ouvidos pela polícia. Um deles, o jovem Tiago Bulzing de Oliveira, de 23 anos, garante que a sua identificação entre os ofensores se trata de um engano. O estudante chegou à delegacia acompanhado do pai, que estuda até processar o Grêmio.

De acordo com Tiago, ele sequer estava no setor destinado à Geral, que fica atrás do gol defendido pelo goleiro do Santos no momento em que surgiram as ofensas. “Não era eu. Realmente se parece comigo, mas não era. Fiquei surpreso, mas vim tranquilo. Sabia que não tinha nada a ver com isso. Eu estava no quarto andar, em outro lado do estádio, nem perto da Geral”, garantiu.

Carlos Henrique Bulzing de Oliveira, pai do jovem, que é sócio do Grêmio há oito anos, lamentou suposto erro na identificação, feita em conjunto entre polícia e o clube.

“Fizeram uma confusão, não era ele. Ele e o irmão são sócios, têm cadeira na (arquibancada) Superior, no meio do campo. É deprimente receber polícia na tua casa. O Tiago estava na aula, e quando chegou levou um susto. Estamos pensando em entrar com um processo contra o Grêmio, foi muito deprimente. Partimos do princípio que foi o Grêmio que identificou” disse.

Patrícia Moreira, a jovem que foi flagrada por câmeras de TV chamando Aranha de “macaco”, irá se apresentar à polícia nesta quinta-feira (4). Além de Tiago, outro homem será ouvido ainda nesta terça. De acordo com a Polícia Civil, os três podem ser indiciados por injúria racial qualificada.

Dois seguranças do Grêmio e um ex-integrante da torcida Geral já foram ouvidos. Porém, o delegado Herbert entende que os depoimentos não foram tão esclarecedores. Imagens das câmeras da Arena, entregues pelo clube, ainda estão sendo analisadas. “Ajudam bastante na investigação. Realmente, a menina tem a imagem mais contundente. Não precisa nem de leitor labial. Mas o Aranha foi bem enfático no depoimento, disse que outras pessoas também gritaram”, afirma Herbert.

Segundo a polícia, quatro pessoas já foram identificadas por atos racistas na partida. Destas, três foram intimadas a prestar depoimento. O delegado, no entanto, não descarta que o número de envolvidos nos xingamentos possa chegar a seis.

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