O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou neste sábado (30) do lançamento oficial do “Tela Brasil”, uma plataforma pública de streaming desenvolvida pelo Ministério da Cultura (MinC). O serviço digital será voltado exclusivamente para a difusão de conteúdos audiovisuais 100% nacionais. Durante o evento de apresentação, o chefe do Executivo defendeu que o fortalecimento da produção cultural interna é o caminho para que a população compreenda a identidade do país, rebatendo a histórica exposição massiva do mercado consumidor a produções cinematográficas estrangeiras.
Em sua declaração, o mandatário pontuou que o projeto visa democratizar o acesso e impulsionar a formação cidadã e histórica. De início, o catálogo do serviço de streaming contará com um acervo de 500 filmes nacionais de longa e curta-metragem. O acesso à plataforma será totalmente gratuito para os cidadãos em todo o território nacional, exigindo apenas a realização de um cadastro virtual prévio na ferramenta.
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Discursos e indireta a escândalo da oposição
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, aproveitou o seu painel de discurso para tecer críticas indiretas ao recente escândalo político que envolve o financiamento de produções de mídia ligadas à direita. A gestora afirmou que o país possui capacidade técnica e artística próprias, ressaltando que o Brasil não necessita contratar produtoras de fachada para expressar sua identidade.
A fala da chefe da pasta cultural foi interpretada nos bastidores como uma alusão direta à produtora estrangeira responsável pelo documentário “Dark Horse”. O longa-metragem retrata a biografia política do ex-presidente Jair Bolsonaro e virou alvo de relatórios investigativos da Polícia Federal devido a suspeitas de evasão de divisas e caixa dois, envolvendo um repasse milionário do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Audiovisual ganha espaço na política industrial
Além da vertente identitária e artística, o lançamento do Tela Brasil trouxe anúncios voltados para a cadeia econômica do setor. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, revelou que um grupo de trabalho interministerial concluiu um plano técnico para injetar o segmento do audiovisual nas diretrizes da Nova Indústria Brasil (NIB), o macroprograma de reindustrialização do governo petista.
As discussões do comitê resultaram na formatação de 11 ações governamentais prioritárias voltadas ao financiamento e modernização da infraestrutura do setor, com previsão de implementação de parte delas em curto prazo. Segundo dados do ministério, a indústria de cinema e TV responde atualmente por 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. A meta econômica fixada pela gestão é criar incentivos fiscais e de infraestrutura para que a participação da produção nacional alcance o patamar de 1% do PIB nos próximos anos.
