PF aponta suspeita de evasão de divisas e investiga se R$ 61 milhões financiaram Eduardo Bolsonaro nos EUA

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O parecer da Polícia Federal (PF) encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) a favor da investigação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aponta indícios de crimes financeiros graves. De acordo com informações do jornal Valor Econômico, o foco dos investigadores está centrado na remessa de R$ 61 milhões enviada ao exterior pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sob a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O que acendeu o alerta da corporação foi o fato de que a maior parte das gravações da produção cinematográfica ocorreu em território brasileiro, contradizendo a necessidade de envio de uma cifra milionária para contas nos Estados Unidos. A suspeita inicial levantada pelos agentes de inteligência aponta para uma possível prática de evasão de divisas.

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Recursos podem ter financiado réu no STF

A principal linha de apuração da Polícia Federal busca rastrear se a verba milionária teria sido desviada de sua finalidade original para custear de forma oculta a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em solo americano. Eduardo mudou-se para os Estados Unidos e figura atualmente como réu em uma ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

O ex-parlamentar é acusado do crime de coação no curso do processo. Conforme a denúncia, Eduardo atuou junto a autoridades políticas norte-americanas para tentar impor sanções econômicas ao Brasil, incluindo o chamado “tarifaço”, em uma estratégia para emparedar o Poder Judiciário brasileiro e tentar evitar a prisão de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

A articulação internacional não surtiu efeito, e o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre pena privativa de liberdade em regime fechado. A Polícia Federal adverte que, se comprovado o uso do dinheiro de Daniel Vorcaro para bancar os custos de Eduardo em meio ao processo, os envolvidos poderão ser enquadrados pelo crime de colaboração com coação.

Alexandre de Moraes dá prazo à PGR

Em outra frente jurídica ligada ao mesmo escândalo, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, estipulou o prazo regulamentar de cinco dias para que a PGR apresente manifestação formal. O despacho atende a um requerimento apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), formulado logo após as revelações jornalísticas trazidas pelo portal Intercept Brasil.

O pedido do parlamentar solicita a inclusão imediata do senador Flávio Bolsonaro e do ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito principal que corre sob a relatoria de Moraes e apura a rede de apoio à atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, ainda analisa os autos antes de emitir o parecer oficial do órgão acusador.

Defesa confirma pedido de verba, mas nega desvios

Procurada pela reportagem do Valor Econômico, a assessoria institucional do senador Flávio Bolsonaro não havia emitido considerações formais até o fechamento da edição. O veículo também tentou, sem sucesso, estabelecer contato com a defesa de Eduardo Bolsonaro.

Anteriormente, quando as primeiras mensagens de texto entre o parlamentar e o ex-banqueiro vieram a público, Flávio Bolsonaro confirmou publicamente ter intermediado a captação e solicitado os recursos para o projeto. No entanto, o senador rechaçou qualquer acusação de ilegalidade e assegurou que o montante foi integralmente repassado para a produtora encarregada da execução do documentário. O parlamentar prometeu apresentar as cópias contratuais e a prestação de contas detalhada das despesas corporativas nos Estados Unidos para rebatê-las.

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