O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve definir nesta quarta-feira (23) qual será a proposta do governo para restringir ou proibir as apostas online, conhecidas como bets, no Brasil. De volta da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, Lula se reúne com integrantes do governo no Palácio da Alvorada para discutir o alcance da medida.
Entre os participantes está o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que participou das discussões internas sobre o tema nas últimas semanas. A equipe econômica já apresentou alternativas, mas a decisão final caberá ao presidente.
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Governo avalia duas alternativas
Uma das possibilidades em análise é a proibição total das bets, que atingiria tanto os cassinos online, incluindo plataformas associadas ao chamado “jogo do tigrinho”, quanto as apostas em eventos esportivos.
Outra alternativa prevê uma restrição parcial, com veto aos cassinos online e adoção de medidas para limitar ou proibir a publicidade das apostas.
A informação mais recente divulgada pela CNN Brasil aponta que auxiliares do Palácio do Planalto passaram a considerar como tendência uma medida mais ampla, que poderia alcançar tanto os cassinos virtuais quanto as casas de apostas esportivas. A decisão, porém, ainda seria tomada por Lula.
Lula defende fim das apostas
O presidente tem manifestado publicamente uma posição favorável a medidas duras contra o setor. No início de setembro, Lula afirmou que, pessoalmente, acabaria com as bets, mas ponderou que, como presidente, precisaria considerar os impactos políticos, econômicos e sociais da decisão.
A discussão ganhou espaço no governo em meio à proximidade do primeiro turno das eleições de 2026. A intenção do Planalto é definir a medida antes do início da etapa decisiva da campanha, permitindo que o tema seja incorporado ao discurso eleitoral do presidente.
Pesquisa aponta maioria favorável à proibição
A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (23) mostra que 75% dos entrevistados defendem a proibição das bets no Brasil. Outros 17% discordam da medida e 8% não concordam nem discordam.
O levantamento ouviu 5.015 pessoas da população adulta brasileira entre 17 e 22 de setembro. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04739/2026.
A percepção negativa sobre as apostas também aparece quando os entrevistados avaliam seus efeitos sociais. Segundo a pesquisa, 59,9% consideram que as bets trazem somente prejuízos à sociedade, enquanto 28,6% afirmam que elas geram mais prejuízos do que benefícios.
Pesquisa também mostra pressão política sobre o governo
Apesar da maioria favorável à proibição, o levantamento apresenta um dado que representa uma questão política para o governo Lula.
Para 36% dos entrevistados, a gestão do presidente é a principal responsável pela disseminação das apostas online no país. Outros 25,4% atribuem a responsabilidade ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto 16,5% apontam o Congresso Nacional.
O resultado coloca o governo diante de uma discussão que combina regulação, impacto social e responsabilidade política. A eventual proibição ou restrição das plataformas deverá definir também como o Planalto pretende enfrentar a expansão das apostas online.
Decisão deve ser anunciada após reunião
Lula deve avaliar com os ministros o formato jurídico e o alcance da proposta antes de bater o martelo. Entre os integrantes do governo envolvidos nas discussões estão representantes da Casa Civil, Fazenda, Planejamento e Secretaria de Comunicação Social.