O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve definir nesta quarta-feira (23) qual proposta será adotada pelo governo para restringir ou proibir as apostas online, conhecidas como bets. Após retornar de Nova York, onde participou da Assembleia-Geral da ONU, Lula tem reunião prevista com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, no Palácio da Alvorada.
Duas alternativas estão em discussão dentro do governo. Uma delas prevê a proibição das bets, incluindo cassinos online e jogos como o chamado “jogo do tigrinho”, além das apostas esportivas. A outra seria uma medida mais restrita, com foco no veto aos cassinos online e limitações à publicidade das plataformas.
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A definição ocorre em meio ao debate sobre os impactos sociais e econômicos das apostas e à discussão sobre novas medidas de controle do setor. O governo já vem estudando alterações nas regras atualmente aplicadas às plataformas.
Lula defende fim das bets
Lula declarou publicamente ser favorável ao encerramento das apostas online. No início de setembro, o presidente afirmou que, em sua avaliação pessoal, acabaria com as bets, mas ressaltou que a decisão como chefe do Executivo precisaria considerar outros fatores.
“Eu, pessoalmente, acabaria com as bets. Acho que elas são um mal para a sociedade. Agora, como presidente da República, sei que tenho que compartilhar decisões para fazer da forma mais correta possível, sem comprometer a estabilidade política, econômica e social deste país”, disse Lula.
Em discurso na Assembleia-Geral da ONU, na terça-feira (22), o presidente voltou a criticar a indústria das apostas online.
Pesquisa aponta apoio à proibição
Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (23) apontou que 75% dos entrevistados concordam com a proibição das apostas online no Brasil. Outros 17% discordam da medida e 8% não concordam nem discordam.
O levantamento ouviu 5.015 pessoas da população adulta brasileira entre 17 e 22 de setembro, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04739/2026.
A pesquisa também perguntou sobre os efeitos das bets na sociedade. Para 59,9%, as apostas provocam somente prejuízos, enquanto 28,6% consideram que geram mais prejuízos do que benefícios. Somados, os dois grupos representam 88,5% dos entrevistados.
Governo Lula é citado sobre expansão das apostas
O mesmo levantamento perguntou aos entrevistados quem consideram o principal responsável pela disseminação das bets no país. 36% apontaram o governo Lula, enquanto 25,4% citaram o governo Jair Bolsonaro e 16,5% responsabilizaram o Congresso Nacional.
Os números representam a percepção dos entrevistados e não estabelecem, por si só, responsabilidade jurídica ou administrativa dos governos mencionados.
Medida ainda depende de definição
A proposta em discussão ocorre em um cenário de divergências sobre o alcance das restrições. Uma das possibilidades analisadas pelo governo é concentrar as medidas nos cassinos online e na publicidade, enquanto outra alternativa prevê uma proibição mais ampla das plataformas.
Segundo a Reuters, o governo brasileiro vinha preparando uma medida para proibir cassinos online, mantendo inicialmente as apostas esportivas, enquanto ainda havia discussão sobre o formato definitivo da iniciativa.
A decisão sobre qual caminho será adotado deverá ser tomada por Lula após as discussões com a equipe econômica.
