Queda de elevador: Justiça apontou risco e mandou trocar equipamento quatro meses antes de acidente

Condomínio já havia acionado construtora na Justiça por falhas em elevadores. Laudo apontou necessidade de substituição dos equipamentos.

Elevador do Residencial Reserve Altiplano 1 após acidente que deixou mulher e crianças feridas em João Pessoa

As duas crianças que ficaram feridas na queda de um elevador em um condomínio no bairro do Altiplano, em João Pessoa, receberam alta hospitalar nesta quinta-feira (14). A mãe delas, de 36 anos, continua internada no Hospital de Emergência e Trauma da Capital, em estado clínico estável.

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As vítimas estavam dentro do elevador quando o equipamento despencou, na noite desta quarta-feira (13). As crianças, de três e cinco anos, tiveram escoriações leves, passaram por atendimento de emergência e ficaram em observação antes da liberação.

A mulher relatou dor na região dorsal e limitação de movimentação nos membros inferiores durante o socorro. Há suspeita de trauma na medula, e ela permanece em observação médica.

O elevador teria despencado do terceiro andar. Após a queda, as vítimas ficaram presas no fosso. Moradores conseguiram abrir a porta da cabine e iniciaram o resgate antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros.

Falhas recorrentes nos elevadores

Antes do acidente, o condomínio já havia acionado a construtora GGP na Justiça. O processo tramita na 7ª Vara Cível da Capital e aponta supostos problemas estruturais e falhas recorrentes nos elevadores do prédio.

Na ação, o condomínio relatou travamentos, interrupções constantes, falhas em sistemas de segurança e episódios anteriores envolvendo elevadores. Entre os casos citados estão incêndio no fosso do elevador do Bloco B e queda abrupta de um elevador no Bloco D.

Em janeiro de 2025, a Justiça determinou a troca dos elevadores. A construtora recorreu, e o processo segue em andamento.

Um laudo elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 apontou inconformidades no elevador do Bloco B, onde ocorreu a queda que deixou as três pessoas feridas. O documento citou problemas de alta prioridade e risco à segurança dos moradores.

Entre as falhas apontadas estão ausência de sinalização de segurança, falta de controle de acesso à casa de máquinas, inexistência de iluminação de emergência, falhas no aterramento elétrico, ausência de ventilação adequada e problemas na instalação elétrica.

O laudo também apontou que a máquina de tração do elevador “não atende à capacidade de peso de toda a estrutura e não atende às normas de segurança”. O documento recomendou a substituição completa do equipamento.

O que diz a construtora

Em nota, a construtora afirmou que “a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos de uso comum, incluindo os sistemas de elevação, recai integralmente sobre o condomínio a partir do momento em que os moradores passam a fazer uso regular desses equipamentos” e que “permanece à disposição das autoridades competentes e da administração condominial para colaborar com as apurações em curso”.

A construtora não respondeu, até a última atualização, sobre as alegações do condomínio de falhas estruturais e sobre o processo na Justiça. A administração do condomínio informou que deve se pronunciar em outro momento.

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