Lula acusa André Mendonça de usar relatoria do Caso Master para “fazer política”

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou nesta quinta-feira (17) o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de utilizar a relatoria do Caso Master para atuação política e de divulgar informações de forma seletiva. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Itatiaia, em meio à crise interna no STF provocada pelas investigações envolvendo o Banco Master.

Lula também comentou as suspeitas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e afirmou que, caso seja comprovada alguma irregularidade, o magistrado deverá responder por seus atos.

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Lula acusa Mendonça de divulgação seletiva

Durante a entrevista, Lula afirmou que Mendonça estaria utilizando a função de relator para fazer política e divulgar apenas informações de seu interesse.

“O André Mendonça estava utilizando o cargo dele de relator para fazer política. Está provado que ele estava fazendo política, fazendo denúncia seletiva, divulgando apenas aquilo que interessava para ele”, afirmou o presidente.

A declaração ocorre após uma sequência de embates entre ministros do STF sobre o tratamento dado aos documentos relacionados ao Banco Master.

Alexandre de Moraes também questionou a divulgação de parte do material. Em manifestação apresentada anteriormente, o ministro afirmou que documentos permaneceram sob sigilo e criticou a liberação seletiva de informações.

Mendonça, por sua vez, determinou a retirada do sigilo de procedimentos relacionados ao caso, mantendo protegidos trechos que, segundo sua decisão, poderiam comprometer diligências em andamento ou estariam abrangidos por outras hipóteses legais de sigilo.

Lula defende Moraes, mas admite responsabilização

Ao abordar as suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes, Lula defendeu a atuação do ministro nos processos relacionados à tentativa de ruptura institucional de 2023, mas afirmou que eventual irregularidade deve ser apurada.

“A briga da família Bolsonaro com Alexandre de Moraes não é por causa do Banco Master, é por causa da prisão da família, é por causa do comportamento do Alexandre de Moraes, que foi correto em defender a democracia desse país”, declarou.

Na sequência, o presidente afirmou que, caso Moraes tenha cometido alguma irregularidade relacionada ao contrato citado nas investigações, deverá responder por ela.

“Se o Alexandre de Moraes cometeu um erro no contrato que ele fez, é uma decisão da Suprema Corte que pode julgar. E se tiver errado, ele terá que pagar pelo que cometeu. Mas nós queremos o mesmo para todo mundo”, disse.

As suspeitas envolvendo Moraes ganharam espaço após a divulgação de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O material inclui mensagens e contatos atribuídos a Vorcaro, além de referências a contrato entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

Moraes contesta as acusações e questiona a validade do material produzido pela Polícia Federal, citando, entre outros pontos, suposta quebra da cadeia de custódia.

Conteúdo do celular de Vorcaro está no centro da crise

Lula também defendeu a divulgação das informações encontradas no celular de Daniel Vorcaro e afirmou que o conteúdo poderá ajudar a esclarecer as relações mantidas pelo ex-banqueiro.

“Vamos divulgar o que aconteceu com todo mundo. Quem foi para orgia que foi montada, quem participou da orgia. Quem gastou dinheiro, quem recebeu dinheiro, quem foi jantar, dormir na casa de quem”, afirmou.

O conteúdo extraído do aparelho se tornou um dos principais elementos da disputa dentro do STF. A controvérsia envolve tanto o conteúdo das mensagens quanto os critérios utilizados para determinar quais informações devem permanecer sob sigilo.

A condução do material chegou à Presidência do STF, atualmente ocupada por Edson Fachin. O ministro passou a centralizar procedimentos relacionados ao Banco Master e determinou providências envolvendo a custódia e o acesso aos dados extraídos do telefone de Vorcaro.

Lula cita Flávio Bolsonaro e acusa senador de envolvimento

Na mesma entrevista, Lula voltou a mencionar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, ao comentar as investigações relacionadas ao Banco Master.

“O Flávio Bolsonaro sabe que não vai escapar. Ele sabe que ele está atolado até o pescoço em todas as falcatruas do Banco Master”, declarou o presidente.

Flávio Bolsonaro é alvo de investigação relacionada ao caso, que envolve suspeitas sobre operações financeiras ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O senador e seu grupo político negam irregularidades.

As declarações de Lula inserem o Caso Master no cenário da disputa eleitoral de 2026. O presidente defendeu que as informações sejam disponibilizadas para permitir a apuração das responsabilidades de todos os envolvidos.

Crise entre ministros aumenta tensão no STF

As declarações de Lula ocorrem dois dias após uma sessão marcada por confronto entre Mendonça e Moraes. No julgamento, Moraes acusou o colega de ter pressionado a Polícia Federal para incluí-lo em uma colaboração premiada. Mendonça rebateu a acusação e classificou a afirmação como mentira.

Nesta quinta-feira (17), Gilmar Mendes também voltou a criticar a atuação de Mendonça no Caso Master. O ministro defendeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e comparou a divulgação de determinadas informações com práticas que, segundo ele, ocorreram durante a Operação Lava Jato.

Mendonça respondeu às críticas e afirmou que existe seletividade na preocupação com a exposição de autoridades. O ministro também defendeu sua atuação na condução dos procedimentos relacionados ao caso.

O impasse permanece no STF, com diferentes ministros discutindo o acesso, a divulgação e o tratamento jurídico das informações obtidas nas investigações sobre o Banco Master.

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