A população está cansada. Cansada de andar pelas calçadas disputando espaço com postes, fios soltos, cabos abandonados e verdadeiros emaranhados aéreos que transformaram a paisagem urbana em um cenário de desordem, abandono e insegurança. O que deveria ser uma cidade organizada e preparada para o futuro tornou-se um retrato do descaso público e da ausência de fiscalização.
É inadmissível que, em pleno avanço tecnológico, ainda convivamos com uma estrutura urbana medieval, onde ninguém sabe explicar de quem são os fios, para que servem, quais estão ativos ou quais estão abandonados há anos pendurados sobre as ruas. O pior: todos enxergam o problema, mas ninguém assume a responsabilidade de resolver.
A privatização da antiga Saelpa, hoje administrada pela Energisa, trouxe para a população a expectativa de modernização, eficiência e melhoria dos serviços. Mas o que se vê nas ruas é exatamente o contrário: postes sobrecarregados, poluição visual crescente, risco permanente de acidentes e uma cidade sendo sufocada pelo improviso.
Enquanto isso, o consumidor continua pagando uma das contas de energia mais caras do país. Basta um pequeno atraso para surgirem notificações de corte e cobranças rigorosas. Porém, quando o cidadão exige organização urbana, segurança e respeito, o silêncio prevalece.
A sociedade está estarrecida com a omissão das autoridades. Onde está a Prefeitura? Onde está o Governo do Estado? Onde estão os vereadores, deputados, senadores e os órgãos de fiscalização? Onde está o Ministério Público diante de uma situação que agride diariamente a mobilidade urbana, o meio ambiente visual da cidade e a dignidade da população?
Não se trata apenas de estética. Trata-se de segurança pública, mobilidade, acessibilidade e qualidade de vida. Idosos, cadeirantes, mães com crianças e trabalhadores enfrentam diariamente calçadas bloqueadas, postes mal posicionados e fios baixos que representam perigo constante.
A população não exige milagres nem soluções imediatas. O que se exige é planejamento, transparência e ação concreta. É obrigação das autoridades exigir da empresa responsável um levantamento técnico completo, identificando fios clandestinos, estruturas inutilizadas e estabelecendo um plano de modernização urbana, inclusive com estudos para implantação gradual de redes subterrâneas nas áreas mais críticas da cidade.
O que não pode continuar é essa sensação de abandono institucional, onde todos enxergam o caos, mas ninguém toma providências. Uma cidade moderna não pode aceitar viver aprisionada em fios, postes e improvisos.
Chegou o momento de a sociedade cobrar publicamente. Porque quando o poder público se cala diante do absurdo, o silêncio passa a ser cumplicidade.
