A Conferência dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do PT da Paraíba, ocorrida nesse sábado (16), foi marcada por uma denúncia de transfobia. A ativista e pré-candidata a deputada federal Gabi Benvenutty denunciou ter sofrido a forma de violência por parte do também filiado e organizador do evento, Arimateia França, que a tratou por pronomes masculinos e teria se recusado a corrigir a forma de tratamento.
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O episódio ganhou repercussão neste domingo (17), Dia Internacional de Combate à LGBTfobia. Diante do ocorrido, a deputada estadual Cida Ramos, presidenta do PT na Paraíba, emitiu uma nota oficial de solidariedade à pré-candidata, classificando a postura do militante como “inaceitável”.
“O PT sempre foi defensor e formulador de políticas públicas voltadas à defesa da comunidade LGBTQIA+ e que não compactua com qualquer ato de violência que fira a dignidade humana e se traduza em preconceito”, disse.
Cida indicou ainda que a conduta de França “será tratada da forma devida”.
Denúncia
De acordo com registros em vídeo, o atrito começou quando Arimateia França se dirigiu a Gabi utilizando termos masculinos como “meu filho” e “meu amigo”. A ativista reagiu e exigiu a retificação.
“Eu sou uma travesti, me trate no feminino. Vai tratar sim (…). Você me chamou de meu filho, meu amigo, eu não sou. Eu vou ser respeitada”, disse Gabi no evento.
Gabi afirmou que o episódio na plenária final foi apenas o encerramento de um dia marcado por ‘múltiplos episódios de preconceito’, que teriam vindo inclusive de pessoas consideradas aliadas políticas: “A conferência foi recheada de transfobia do início ao fim, da chegada do credenciamento, ao almoço, à atividade, tudo, todas as interações tivemos transfobia“.
“O inimigo não está só na extrema direita. Ele mora bem ao lado e, às vezes, milita junto com a gente”, escreveu ainda a pré-candidata, que cobrou postura do Conselho de Ética do PT: “Eu sou uma travesti. E travesti é uma identidade feminina que deve ser tratada no feminino. Sempre.”
Militante se retrata e alega “expressão errada”
Após a repercussão negativa e a cobrança pública, Arimateia França gravou um vídeo de retratação. O organizador minimizou o caso, classificando o ocorrido como o uso de uma expressão equivocada em um momento de exaltação, e defendeu seu histórico de militância.
“Eu quero aqui me retratar de uma expressão que eu utilizei errada ao chamar Gabi [Benvenutty] de ‘meu filho’ para que a gente pudesse superar um atrito que estava lá, que fazia parte da nossa coordenação (…). Quero dizer do meu respeito a todas as mulheres e homens trans. É esse compromisso que eu tenho, não de hoje, mas da vida inteira”, declarou Arimateia.

