Pelo que se acompanha também a partir dos bastidores, o desempenho de Flávio Bolsonaro na sabatina da TV Globo nesta sexta-feira foi avaliado, por exemplo, por colunistas da Rede Globo com nota média de 2,4 (em uma escala de 1 a 5), sendo classificado como uma atuação “treinada” e “tática”.
Esta também é a conceituação que fazemos diante da forma e tratamento do presidenciável frente aos assuntos abordados ao longo da entrevista.
Tom Ensaiado
A impressão resultante da fala de Flavio Bolsonaro, por exemplo, tratando a tentativa de Golpe de 8 Janeiro com a quebradeira geral dos prédios dos Poderes constituídos – Congresso e Supremo Tribunal Federal – como farsa é um insulto à memória e à inteligência brasileira posto que tudo fora ensaiado nos gabinetes de seu paí, ex-presidente Bolsonaro.
Na verdade, o candidato adotou um media training rígido, tentando passar uma imagem moderada (“bom moço”), distanciando-se de polêmicas passadas (como ataques às urnas eletrônicas) e repreendendo a postura do irmão Eduardo Bolsonaro em relação aos EUA.
Conteúdo Cru e Pouco Crível
Levando em conta ainda estudos / análises à Sabatina, ficou evidente que, apesar do treino visível, o senador foi pouco convincente ao se esquivar de responder sobre repasses financeiros envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro.
Defesa Política
Repetimos: o presidenciável classificou a condenação de seu pai no STF como uma “farsa” e minimizou os eventos de 8 de janeiro de 2023 indo de encontro à realidade comprovada de tentativa de Golpe fracassado.
Detalhe da Mão
Ficou evidente, como constatado pela imprensa, que o candidato levou anotações escritas na palma da mão esquerda para a entrevista, confirmando sua condição de personagem treinado à sabatina sem convencimento à altura de suas argumentações.
Síntese
Flávio Bolsonaro cumpriu o papel de reproduzir a defesa ideológica em torno de sua história, mesmo quando tratando do envolvimento com chefes de tráfico no Rio defendendo militares envolvidos em crimes, condição relevante na base bolsonarista.
Se disse, repetimos, contra o Tarifaço de Trump ao Brasil criticando seu irmão, Eduardo Bolsonaro, favorável, mesmo tendo estado nos EUA dizendo-se defensor do adiamento.
Visivelmente contra Lula, não soube dizer quais os setores a serem atingidos por ajuste fiscal para resolver a balança comercial.
Em síntese, cumpriu o papel de representante da extrema direita na disputa presidencial dialogando com sua base, a partir do discurso treinado focado na preservação da militância e eleitorado.
Eis o resumo da ópera.
ÚLTIMA
“O olho que existe / é o que vê”
