“É dando que se recebe”

A frase contida na oração de São Francisco foi desvirtuada na prática da política brasileira. O santo falava em bens espirituais. O mundo político fala de negociatas, permuta de favores, conchavos.
 

Na pregação religiosa mesmo que se diga “é dando que se recebe”, não há, quando a oferta é feita, a intenção de receber algo em retorno. Na política o propósito é sim, sempre, obter algo em troca. Ninguém faz nada desinteressadamente. No terreno político fertiliza a corrupção.
 

As estruturas de poder transformam-se em instrumentos para beneficiar os que se dispõem a participar desse negócio de permuta de interesses. O tráfico de influência no comando do “é dando que se recebe”. Os maus políticos patrocinam as “transações” usando o que não lhes pertence em benefício próprio. Já se tornou um vício cultural, tanto que se faz de forma escancarada, a olhos vistos. Tornou-se um acontecimento natural, ainda que aético, imoral e desigual.
 

Mas nem sempre as verdadeiras intenções do “é dando que se recebe” são explícitas. Elas são divulgadas de forma diferente do que realmente se negociou. Os ganhos acertados não podem ser de conhecimento público porque, aí sim, se constituiriam em crimes de improbidade administrativa. No entanto muitos ainda apostam na cultura de impunidade que impera neste país.
 

* Integra a coletânea de textos que intitulei “REFLETINDO A SABEDORIA POPULAR (ditados, expressões e provérbios)”.

 

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