{arquivo}Quando Antonio Mariz resolveu enfrentar a difícil campanha para o Governo do Estado, em 1994, logo convocou para perto um “exército” inteligente de homens e mulheres capazes, comprometidos com um projeto de Desenvolvimento Sustentável para o estado da Paraiba que, primeiro, buscasse resolver a fome dos paraibanos, mas gerasse nova vocação econômica no estado com investimento na educação. Mariz – digo e provo – foi precursor, antes de FHC e de Lula, na preocupação com nossa gente abandonada, sem ter o que comer. Um dos esteios da luta do filho de Dona Noemi tinha esse foco cidadão, hoje tão fortemente desenvolvido pelo Governo Federal.
Mas, para compor a equipe, Mariz escolheu entre tantos para ajudá-lo na hercúlea tarefa de administrar o Estado, um amigo de longas datas por sua capacidade de organização, competência metodológica no serviço público, sensível aos reclames populares, mesmo sendo ele filho de Classe Média para cima, reconhecido a partir de João Pessoa. Este era Cláudio de Paiva Leite, de família tradicional, onde pontificaram muitos e seus irmãos, grandes professores da Universidade Federal da Paraíba.
Refinado, culto, nem por isso deixou de ser enérgico para impor disciplina e resultados nas tarefas indispensáveis aos objetivos de Governo, por isso foi chamado por Mariz para ser seu Chefe de Gabinete, espécie de “Homem do Itamaraty”, que podia receber uma comitiva de estrangeiros podendo falar na língua pátria internacional, mas com trato alinhado para saber tratar o homem do povo, anônimo, com idêntico respeito.
Forjado nas rodas intelectuais de Brasilia e Rio de Janeiro – este último seu segundo lar de vida e prazer ao lado de sua companheira inseparável Célia e suas duas filhas especiais, Cláudio de Paiva Leite serviu ao Brasil, em especial à Paraiba com a dedicação de um Homem Público ético, capaz e responsável. É dele, como superintendente da Caixa Econômica Federal, a estruturação de prédio moderno na parte do Centro da cidade, hoje agência Cabo Branco.
Poucos sabem mas, quando no sábado de setembro de 1995, o médico Ricardo Maia deu o veredicto da morte do governador Antonio Mariz – um grupo de amigos / assessores se deixava levar por emoção pela “partida” do amigo, a exemplo de Ronald Queiroz e Cláudio Paiva Leite, que fora chamado a anunciar a morte do intelectual governador, mas ele disse sem condições de fazê-lo por absoluto abalo emocional. Foi aí, nesse clima doloroso, que fui escalado para ser como Secretário de Comunicação o porta-voz dessa má noticia.
Durante todo o tempo, infelizmente não pude ser da intimidade de Dr Cláudio, cuja voz pausada me lembrava um dublador de filmes americanos (nem sei o nome) e também de Roberto Civitta, da Abril, com quem estive algumas vezes, pela exposição das palavras com fonemas compreensivos a qualquer audição. Você entendia bem o que ele falava,
Pois bem, via torpedo o amigo comum Napoleão Casado Filho me comunica da “partida” sem volta do amigo Dr Cláudio de Paiva Leite deixando lembranças do alpendre da casa de praia em Manaira ou no amplo salão de seu apartamento em Copacabana.
Ele se foi quando da chegada do Papa, talvez para oportunizar-se de um momento sublime para estar mais próximo de Deus e de amigos de sua vida próxima, a exemplo de Antonio Mariz, Dona Noemi, Humberto Lucena e Ronald Queiroz. Se não for demais, vou pedir para Maria Júlia chamar Antonio Cândido para recepcioná-lo com Ivan Thomaz (outro admirador de Dr Cláudio) anunciando a triunfal chegada de um Homem de Bem no Reino do Céu.
ÚLTIMA
“O nome/ a obra imortaliza…”
