Artista visual João Lobo desenvolve nova forma de ver a fotografia: “fotografar a velocidade no interior da própria velocidade”

joão lobo
Por Walter Santos, editor do Portal WSCOM e da Revista NORDESTE – este ano comemorando 20 anos de circulação no Brasil
É fato: a Publicação científica da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, destaca em recente abordagem a investigação artística que transforma o tempo, o movimento, a longa exposição e a velocidade em matéria imagética.
A ESSÉNCIA
“Como fotografar a velocidade no interior da própria velocidade?” A pergunta, formulada pelo artista visual e realizador João Lobo, está no centro de discussões científicas com o projeto O Tempo do Movimento. Investigação artística agora publicada em revista científica com ensaio crítico do Professor Dr. Fernando Rosa Dias,
da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.
A publicação analisa um percurso que desafia um dos princípios fundamentais da fotografia: a captura do instante. Em vez de congelar o movimento, o artista propõe fotografar a “velocidade no interior da própria velocidade”.
O gesto desloca a fotografia da representação do mundo para a experiência do tempo, transformando a longa exposição num espaço de investigação estética e conceptual.
Desenvolvida a partir de dispositivos fotográficos utilizados em movimento, a série resulta de imagens captadas na frente de comboios em alta velocidade.
Nelas, não é a paisagem que se move perante uma câmara imóvel; é o próprio equipamento que atravessa o espaço durante o tempo da exposição.
O resultado são imagens onde os referentes se dissolvem em rastos de luz, temporalidades sobrepostas e memórias visuais que desafiam a leitura convencional da fotografia.
No ensaio, o Professor Fernando Rosa Dias identifica esta investigação como uma deslocação do centro da fotografia: da representação dos objetos para a ação do aparelho
e para a duração do processo fotográfico.
A fotografia deixa de ser apenas um registro do real para se firmar como experiência do tempo, onde a câmara participa ativamente da construção da imagem e onde o acaso, o ruído e o movimento passam a integrar a própria
linguagem visual.

NOVO CONTEXTO

O estudo estabelece ainda um diálogo entre a obra de João Lobo e o pensamento de autores fundamentais ao estudo da imagem fotográfica como Roland Berthe, Walter Benjamin, Charles S. Pierce e Susan Sontag, situando a investigação no contexto da fotografia com caracteres ampliados e das práticas contemporâneas da imagem.
Mais do que representar um lugar ou um acontecimento, as fotografias deste projeto tornam visível a duração da luz, a travessia do espaço e a experiência física do olhar.

HISTÓRICO

Artista visual, realizador, autor de livros e curador de fotografia e cinema, João Lobo desenvolve uma obra reconhecida internacionalmente que cruza fotografia, cinema experimental e investigação académica.
A sua prática procura expandir os limites da linguagem fotográfica através da experimentação com o dispositivo, o tempo e o movimento, propondo uma reflexão sobre o papel da imagem na contemporaneidade.
Com O Tempo do Movimento, ele afirma uma das mais consistentes investigações artísticas sobre a fotografia enquanto experiência temporal.
O que as suas imagens revelam não é apenas aquilo que a câmara viu, mas aquilo que aconteceu durante o processo, o que resulta no próprio ato de ver. Na percepção de quem ver, do que é visto e percebido pelo observado.
Eis uma nova abordagem contemporânea de forte impacto no conceito atual da fotografia.
ALPB 2025

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