“MARIA VAI COM AS OUTRAS”

No início do século dezenove, quando a família real portuguesa veio para o Brasil, a rainha Maria I, mãe de Dom João VI, que era também conhecida como “a rainha louca”, costumava passear às margens do rio Carioca. Nesses passeios a rainha sempre se fazia acompanhar de “damas de companhia”, em razão da sua maluquice. Nunca andava sozinha. Não sabia nem para onde a estavam levando em razão de sua doença mental. A ausência de juízo fazia com que se deixasse levar pelas acompanhantes para onde fosse guiada. Por isso, o povo dizia “Maria vai com as outras”.

Com o tempo essa expressão passou a definir as pessoas facilmente influenciáveis, sem personalidade, caráter ou opinião própria. Muita gente prefere agir conforme o vento a leve. Não tem a preocupação de raciocinar, ter ciência dos verdadeiros motivos que a impulsione nas ações. Pensa e faz o que a maioria determina. E assim se imaginam atualizados, politicamente corretos ou engajados em movimentos. Se forem questionados não saberão responder a causa de sua presença ou do seu comportamento.

Alguns assim se portam por inocência, ignorância ou despolitização. Aliando-se à maioria pode passar a impressão de que têm consciência política. Têm medo de discordar, de serem diferentes, para não parecerem alienados ou “do contra”.

Outros gostam de acompanhar a “onda”, “entrar no clima”, “fazer a festa”, sem saberem absolutamente nada do que estão fazendo. É o que se chama de “massa de manobra”, “inocentes úteis”.

O jornalista e comentarista político Walter Lippmon fala que “quando todos pensam o mesmo, ninguém está pensando”. O que equivale dizer que não devemos nunca abrir mão da nossa capacidade de pensar na hora de tomarmos qualquer decisão. Devemos sempre fazer aquilo que conscientemente sabemos o que estamos fazendo. Abraçar uma causa com o idealismo de quem tem convicção do que quer e do que deseja conquistar.

Quem concorda com tudo o que lhe falam, não tendo nunca opinião própria, é o que na linguagem popular chamam de “maria vai com as outras”.

• Integra a coletânea de textos que intitulei “REFLETINDO A SABEDORIA POPULAR (ditados e provérbios)”

 

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