Trump e Paquistão preveem assinatura de pacto de paz com o Irã neste domingo

Donald Trump durante declaração sobre conflito com o Irã e possível ação militar dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou publicamente que um acordo histórico com o governo do Irã deverá ser assinado neste domingo (14). A medida visa encerrar meses de conflito armado no Oriente Médio e tem como principal contrapartida imediata a reabertura total do Estreito de Ormuz, um dos corredores marítimos mais vitais para a economia do planeta.

O líder republicano demonstrou otimismo e afirmou esperar um processo célere e sem entraves burocráticos.

“Esperamos trabalhar em conjunto com o Irã e todo o Oriente Médio no futuro. No momento apropriado e quando tudo estiver calmo, os Estados Unidos irão recolher o resíduo nuclear enterrado sob montanhas de granito e destruí-lo”, declarou o presidente norte-americano.

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Mediação internacional e o peso do petróleo global

A proximidade do pacto foi endossada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como um dos principais mediadores das conversas de bastidor. Sharif confirmou na rede social X que os dois países selaram os termos de um memorando de paz em Islamabad e que os preparativos para uma assinatura eletrônica estão previstos para as próximas 24 horas. A postagem foi compartilhada pelo próprio Trump.

A reabertura do Estreito de Ormuz é considerada o ponto de maior urgência para os mercados internacionais, dada a sua importância estratégica:

  • Volume comercial: Cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo circula pela passagem marítima situada entre o Irã e Omã;

  • Rota da Opep: O canal interliga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, servindo de rota principal de escoamento para gigantes da Opep como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e o próprio Irã;

  • Destino: O fluxo atende majoritariamente o mercado consumidor da Ásia, além de abastecer rotas destinadas à Europa e às Américas.

Apesar do otimismo da Casa Branca, a agência da ONU responsável pela fiscalização atômica (AIEA), através de seu diretor-geral Rafael Grossi, reiterou que os inspetores internacionais nunca encontraram provas materiais de que o governo iraniano estivesse de fato desenvolvendo ogivas nucleares, rebatendo as acusações históricas de Washington.

Irã adota cautela e vazamentos geram atrito com Trump

Demonstrando a tradicional volatilidade que marca as negociações bilaterais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, evitou cravar a data da assinatura para este domingo. “Teremos que esperar para ver a data exata. Embora não deva ser amanhã, a assinatura do memorão nos próximos dias não pode ser descartada, mas é necessário ser cauteloso”, ponderou o diplomata.

Horas antes de celebrar o avanço, Trump chegou a usar sua rede social Truth Social para atacar duramente os dirigentes iranianos, após a imprensa de Teerã vazar exigências do regime. O norte-americano chamou as informações de falsas e classificou os negociadores como “pessoas desonrosas”. Contudo, mudou de postura pouco depois ao compartilhar uma mensagem do chanceler iraniano, Abás Araqchi, afirmando que um acordo “nunca esteve tão perto”.

O que está na mesa: As divergências de bastidores

Embora o texto final do “Memorando de Islamabad” não tenha sido divulgado oficialmente, as imprensas americana e iraniana divergem sobre as concessões de cada lado:

Versão Americana (CNN / Reuters) Versão Estatal Iraniana (Agência Mehr)
Novo cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes, incluindo o Líbano. Fim imediato das hostilidades e retirada das tropas dos EUA das proximidades.
Reabertura de Ormuz sem cobrança de taxas iranianas em até 30 dias. Teerã não abrirá mão do controle soberano do Estreito de Ormuz.
Suspensão progressiva de sanções econômicas americanas. Suspensão imediata e integral de todas as sanções financeiras.
Irã assume compromisso formal de desmantelar o programa nuclear. O Irã manterá seu direito soberano de enriquecer urânio.
Recursos iranianos congelados seguem retidos até o cumprimento integral. Fim imediato do bloqueio naval norte-americano a portos do país.

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