O que estamos observando no atual estágio da campanha eleitoral não diferencia muito de outros embates anos atrás. Os últimos dias são sempre marcados pelo acirramento na disputa, com as propostas dando lugar aos ataques nos guias eleitorais do rádio e da televisão. Passado o tempo em que os candidatos se apresentaram ao público eleitor, mostrando quem os apóia e o que fizeram e pretendem fazer na vida pública, chega o momento, na reta final, de partirem para as denúnicas, a desconstrução da imagem dos adversários, ressaltando inexperiências, envolvimentos em supostos escândalos e afirmações de quem já teve oportunidade de fazer e não fez. A injúria, a calúnia e até a difamação, tomam conta dos programas gratuitos nos veículos de comunicação.
Pode-se dizer que é a hora do “vale tudo”. Os guias eleitorais passam por uma mudança radical de comportamento. Por mais que neguem todos eles, a temperatura da campanha fica balizada pela divulgação das pesquisas eleitorais, mesmo sabendo que seus resultados são apenas diagnósticos e não prognósticos. Cada um dos candidatos, ao seu estilo, procura reverter tendências, quando apontado em situação de desvantagem, e guardar sua posição de liderança, quem se coloca à frente na consulta popular.
Pesquisas eleitorais existem no Brasil há mais de cinquenta anos. Sempre foram questionadas. Embora apresentem eventuais imprecisões, elas não podem ser desqualificadas. Queiram ou não representam as intenções de votos de um determinado momento. E se esse instante é próximo das eleições mais significativas representam. Por isso mesmo influenciam na tônica dos discursos e na estratégia a serem adotados no final da campanha.
Além das pesquisas publicadas por autorização da justiça eleitoral, cada coligação realiza as suas para consumo interno. Se perguntarem a qualquer uma delas receberá a informação de que o seu candidato está na primeira colocação. É uma tática para injetar ânimo na militância e procurar desacreditar as que foram publicadas. Só os coordenadores da campanha têm acesso aos seus verdadeiros resultados. De posse desses numeros direcionam os novos encaminhamentos da batalha eleitoral.
Não fica difícil para o eleitor, no entanto, identificar o cenário real da disputa, quando acompanha a postura dos candidatos nessa nova fase da campanha. Quem sofre os ataques de forma mais acentuada é, sem qualquer dúvida, o líder das pesquisas. Perceptível, então, o esforço em abater esse líder, seja de qual forma for. O importante é vencer, ainda que pautado nas denúncias irresponsáveis e vazias, orientado pela falta de respeito á ética e à verdade.
O que se espera é que o povo esteja suficientemente preparado para dirimir quem faz uso da propaganda para produzir o equívoco eleitoral e quem continua apresentando propostas e divulgando seu projeto de governo.

