A década de sessenta foi considerada a “era dos festivais”. A produção musical da época traduzia a manifestação dos artistas em sintonia com o sentimento nacional de contestação ao regime de força em que viviam os brasileiros. As letras, até a edição do AI 5, no final de 1968, eram uma mistura de mensagens políticas com o romantismo e concepções inovadoras da forma de vida que aquela geração passava a defender, quebrando paradigmas e transformando atitudes e comportamentos.
Os festivais que tinham os universitários como a grande maioria do seu público expectador, passaram a ser o principal palco do trabalho musical da época. Em 1968 aconteceram no Brasil dois grandes eventos de competição com apresentação de músicas inéditas, em que participaram os maiores nomes da MPB. Em junho a TV Record e a Revista Intervalo promoveram a I Bienal do Samba, onde se consagraram, em primeiro lugar “Lapinha” de Baden Powel e Paulo César Pinheiro, interpretada por Elis Regina e os Originais do Samba, e em segundo lugar, “Bom Tempo”, composta e interpretada por Chico Buarque de Holanda. No final do ano aconteceu o I Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Globo. A música vencedora do certame foi “Sabiá” de Tom Jobim e Chico Buarque, interpretada por Cynara e Cybele. Mas nesse festival surgiu a música, classificada em segundo lugar, que virou hino dos movimentos populares de contestação à ditadura, “Para não dizer que não falei em flores” ou “Caminhando”, do nosso conterrâneo Geraldo Vandré.
A Paraíba que teria vivido em 1967 a experiência na promoção de um festival da MPB, exclusivamente para a música produzida aqui, coordenado pelo jornalista Expedito Gomes, realizou a segunda edição desse concurso no mês de abril. Os primeiros meses do ano, portanto, foram dedicados à sua organização.
Em março a Comissão de seleção do II Festival Paraibano da Música Popular Brasileira divulgou a relação dos 36 trabalhos a participarem das eliminatórias programadas para os dias 06, 13 e 20 de abril no Teatro Santa Roza. A Comissão era composta pelos maestros Arlindo Teixeira e Amauri Soares, os críticos musicais G. O. Belli e Francisco Ramalho e o violinista Artur Andrade.
Foram escolhidas: “Canto de dor” de Codó e Erialdo Pereira; “Canto de esperar à toa” de Agápio Vieira e João Carlos da Franca; “O cirandeiro” de Livardo Alves; “Ida e volta. Giro que o mundo dá” de Fernando Teixeira; “Rosa, rosinha” de Antônio Barreto Neto e Eurico Vieira; “Vaqueiro” de Coringa e Francisco Teotônio; “Amor e rosas” de Gerusa e Gizélia Diniz; “Canção que eu fiz pra lhe dar” de Vital Farias; “Canção do ter” de Carlos Aranha e José Neumanne; “Eu sabia sabiá” de Vital Farias e Jomar Souto; “Queimada na serra” de Luiz Silvio e George Ramalho; “Volta e revolta” de Romildo Torres; “Boi bumbá” de Livardo Alves e Genival Veloso; “O cantador” de Codó e Felix Galdino; “E uma rosa” de Pepi Toni; “Pontaria” de Zé Pequeno e Genival Veloso; “Rancho da moça e a janela” de Severino Marcos Tavares; “Canto por quem não canta” de Antônio Barreto Neto e Nathanael Alves; “Canto de construção” de Livardo Alves e Jomar Souto; “Programa” de Carlos Aranha e Fernando Aranha; “Viravolta” de Zé Pequeno e Genival Veloso; “Chão de carrossel” de Livardo Alves e João Manoel de Carvalho; “Mini-história de uma canção” de Luiz Ramalho; “Amor e primavera” de Vital Farias e João Manoel de Carvalho; “Cantiga” de Vital Farias e Walter Carvalho; “Tropeiro” de Luiz Ramalho; “A corrida” de Antônio Pedro; “Utopia” de Luiz Ramalho; “A luta” de Zé Pequeno e Genival Veloso; “Código do cangaço” de Luiz Ramalho; “Canto de aceitação” de Vital Farias e Roberto Carlos de Oliveira; “Gira mulher” de Carlos Aranha e Fernando Aranha; “O trem” de Coringa e Martins Neto; “Batuque” de Livardo Alves e João Manoel de Carvalho e “O Sol” de Luiz Ramalho.
• Esse texto faz parte da série “COMO A PARAÍBA VIVEU O ANO DE 1968”
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