Enquanto na Paraíba o mundo Cult se entreolha em busca de identificar quem vão ser os gestores da Arte e Cultura na nova era Socialista e seus projetos de abrigo das artes e artistas a partir de 2011, em pleno domingo o Nordeste antenado acompanhou o mais consistente DVD dos últimos anos produzido pela pop star Elba Ramalho.
Ivete Sangalo e Cláudia Leite – baianas arretadas, Fernanda Abreu e sua beleza Cult carioca, até mesmo os meninos de Minas e Ana Carolina, toda a expressão maior Rita Lee de São Paulo, a força incomum de Betânia, Gal, Alcione – ah!! tantas e tantas divas da Musica Brasileira Vanessa da Mata, mas Elba Ramalho mostrou viver o auge de sua pujança interpretativa, estética, de desempenho máximo de uma carreira com características tipo e top internacional.
Foi o que a Rede Globo exibiu para uma parte do Pais – bem deveria ter sido em rede nacional – porque, cá pra nós, ver a performance de Elba em meio a um elenco fantástico de amigos/cúmplices do nível de Chico Buarque, Lenine, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Alcione, Spok, Flávio José, etc é condição afeita a poucos com atitude artística irrepreensível dentro e fora dos palcos.
Nem parece que beira aos 60 anos. Exuberante, conservada, frenética, rejuvenescida, eloqüente e de empatia tanta jorrando diante da natureza diante do público, a recauchutada artista mostrou também que está distante dos exageros da vida artística – sempre provocados pela bebida, drogas e descaso orgânico – e convive com a fase pós – moderna de cuidar da alimentação, do exercício físico permanente, da vida saudável em si, como poucos de sua geração fazem.
Mas, enquanto espetáculo, os cenários, a iluminação, a captação de imagens, figurino e especialmente o repertório fizeram do show gravado no Marco Zero, em Recife, a celebração da vida musical de Elba – tanto que em várias vezes agradeceu abertamente o carinho recebido muito mais na Veneza Brasileira do que em sua terra natal, a Paraíba.
Mas, abstraindo valores sentimentais de foco não mais importante neste momento, o saldo do domingo de quase madrugada se fez mais exuberante porque, como já se sabia, temos valores em demasia para exibir ao Brasil e ao mundo, como Elba – a mais rejuvenescida cantora de toda a sua geração.
Chico César, o futuro e a Cultura
De propósito não mencionei o nome do Catolaico acima porque seu vinculo com Elba e a Paraíba têm um reforço de valor dobrado, não só por ter participado interpretando um maracatu no show, mas pela função que exerce na Funjope, ou seja na gestão da cultura na capital paraibana.
Mesmo anunciando a decisão de deixar a Funjope e partir para outros planos, ainda há quem o veja preparando – se para assumir a Secretaria de Cultura, já na Assembléia Legislativa e em fase de sanção mais na frente visando sua implantação.
Chico é amigo de Elba e estar presente no show é algo comum, esperado.
Mas quando se trata de gestão, a conjuntura toma outro contorno porque à frente da Funjope – de fato Chico gerou link mais constante entre valorosos artistas, sobretudo cantores, cantoras e bandas de outros estados e até países com a capital paraibana consolidando uma nova fase e ofertando network pessoal vasto para sempre, embora a gestão em si da cultura seja mais ampla do que política de eventos.
Chico até avançou com a expansão da arte, em especial a musica, nos diversos bairros buscando construir meios e espaços aos artistas preconceituosamente chamados da terra, mas a sua atuação deixou um pouco a desejar nas relações com o conjunto de uma forma geral.
Ao longo dos anos, ele se aprofundou muito com quem tem base/raiz na sua trajetória – vide Jaguaribe Carne, Musiclube, etc, mas não conseguiu chegar aos demais de outras gerações e formações, da mesma forma que outras habilitações das artes deixaram de merecer maior limbo, como se deu com artistas engajados aos projetos políticos de plantão. Pelo menos é isto o que dizem muitos dos artistas nos bastidores.
Um parêntese apenas
Um exemplo clássico é o Folia de Rua, que tinha abertura partindo do Beco Malagrida, na Praça João Pesssoa passando por ruas do centro chegando à apoteose na Praça Antenor Navarro, onde ele próprio já se apresentou contratado, mas que com a restauração do Ponto de Cem Réis a PMJP acabou deletando toda a trajetória e importância do Varadouro na construção da retomada do carnaval.
Tudo bem que, logo alguém dirá que foi decisão dos blocos por 1 voto de desempate, mas um artista de dimensão internacional e agora gestor de dialogo nacional sabe que um reforço/apoio a uma iniciativa não deve – ou não deveria – extinguir a iniciativa e força popular que conquistou a praça Antenor Navarro e a viu deixar de existir no calendário de eventos.
Não posso crer que a motivação tenha sido o fato do Varadouro ter sido produzido na gestão Cícero Lucena! Ainda hoje muitos blocos indagam quando e como a Prefeitura vai resgatar o que já apoiou.
Conteúdo e distinção
Forjado no campo da esquerda, declaradamente apoiador do PT e do MST, Chico César, artista de valor reconhecido dentro e fora do pais, comunga com a política engajada na fomentação dos artistas de base ideológica parecida, mesmo convivendo com outros de profissão artistica e ideologia diferentes.
Mas o fato é que seu dialogo para fora surtiu efeito. Nas andanças pelo Nordeste e Centro – Sul não foram poucas as vezes em que fui provocado para comentar o desempenho do presidente da Funjope pela sua boa fama artística.
Agora, que chega a semana decisiva de se conhecer os novos nomes da cultura, ainda é tempo de antecipar que Chico César deu sua contribuição inquestionável, de bom nível indiscutível, mas merecendo mais dialogo e convivência com outras matizes culturais, que não só da música.
Se é certo que o futuro Governo nasce de uma identidade ideológica socialista ungida pelo voto popular, da mesma forma se dirá que a gestão de futuro se aplica à toda sociedade e não somente aos vencedores que vão governar.
Aliás, o futuro governador assumirá com esta missão tão esperada.
ÚLTIMA
“Há tantas violetas velhas/ sem um colibri…”