Quem vive dependendo dos movimentos políticos no Estado diferentemente da grande maioria das pessoas mais voltadas com a sobrevivência em si da vida dedica boa parte do tempo nesta segunda-feira a acompanhar e reproduzir o que deve registrar no encontro entre lideranças partidárias de Oposição ao governo Maranhão.
Não será demais prever presença quantitativa e qualitativa forte, mesmo com ausências que desfalcam a mesma Oposição irrequieta.
Tudo acontece depois de um domingo em que o governador José Maranhão foi testado mais uma vez diante de milhares de pessoas durante a programação de reabertura do Planetário do Espaço Cultural equipamento que somente foi retomado pela dedicação do presidente da Funesc, Mauricio Burity, e o apoio da Embaixada da Alemanha, afora, lógico, o apoio do Governo em si.
Quem conhece a área cultural sabe que não é fácil cuidar e manter vivo o tamanho do Espaço Cultural. Particularmente, não sou de jogar pedra no passado, mas não dá para ignorar que a gestão de Mauricio Burity salta aos olhos de resultados. Dois fatores explicam tal desempenho: o fato de estar diante de um equipamento muito querido por seu pai o que serve de energia permanente -, e o acumulo de gestão na iniciativa privada lhe faz administrador de resultados.
Por isso, Maranhão neste domingo parecia criança em meio a milhares delas citando para os adultos os vários investimentos feitos no Espaço e na cultura segmento meio tabu porque foi nele que um dia montou o prefeito Ricardo Coutinho.
Fora do discurso, Maranhão disse que vai investir forte como nunca se viu nessa área.
Pois bem, neste mesmo domingo no qual o Botafogo tropeçou jogando em casa no estádio Almeidao, mais uma vez vingou a maldição que sai das sombras do alvinegro (ou tricolor) em acumular dissabores, mesmo com a dedicação de dedicados dirigentes, o que nos leva a crer que, apesar do total empenho dos cartolas, parece existir problemas de relacionamentos entre eles e os atletas.
Se isso for verdade, há problema sério de gestão a se resolver porque desta forma o Botafogo volta a correr riscos de ficar fora da possibilidade de conquistar o campeonato.
Mas, como disse, a segunda-feira começa com os olhares em torno da Oposição liderada pelo ex-governador Cássio Cunha Lima e o senador Efraim Morais apoiando a candidatura de Ricardo Coutinho.
Numericamente é presumível forte afluência, mas definição mesmo de chapa e partidos na aliança nada sairá da reunião de hoje.
Ricardo: entre o pragmatismo e a pressa involutiva
O Encontrão celebra como circunstancia atual a aliança de Cássio, Efraim e membros do PTB, PP, etc com a pré-candidatura de Ricardo em nível jamais imaginado dois anos atrás, por exemplo no tempo em que o discurso do líder do PSB era radicalmente ferino na direção de valores e partidos.
O estágio político de Ricardo, no entanto, o faz jogador pragmático professando o argumento de que para chegar ao Governo precisaria neste ano de apoios fora do PMDB e não próximo de Maranhão/PT e companhia porque esta, segundo ele, é a estrutura que não o deixaria ser candidato nem conseguir a vitoria na disputa pelo Palácio da Redenção em 2010.
Ricardo assumiu de público o que já vinha sendo construído há meses atrás, anos diria até, quando resolveu criar um pacto de não agressão com o então governador Cássio de 2006 para cá. O portal WSCOM trouxe o FURO de que havia acordo entre Cássio, Ricardo e Efraim até gerando desmentidos mas o tempo como senhor da razão provou o que havíamos antecipado.
A opção do prefeito também remete a outra leitura: há quem veja nessa atitude a queima de etapas porque outros entendem que ele poderia ter se mantido no mesmo arco de aliança que o apoiou em 2004 e 2008, mas ele esnobou a possibilidade de se eleger Senador preferindo assumir a picada da mosca azul jurando ser agora a hora de ser candidato.
Ele aposta todas as fichas na soberania dos efeitos de sua gestão no caso os valores positivos alem do mais acredita que o paraibano quer o novo (e ele se sente o tal), por isso descartou parte dos princípios originais de sua trajetória como fossem peças de papel descartável. Não leva ele em conta a possibilidade de efeitos negativos em exploração, por ventura de, áreas problemáticas (saúde, transparência, ética, etc), caso perdurem campanhas na mídia nessa direção.
Quando faz a opção que fez, em síntese, Ricardo ganha e perde. É o saldo desse xadrez, dessa equação de pragmatismo versus mudança de discurso e paradigmas, que se realçará seu futuro condição essa que um dia já lhe fez candidato imbatível e hoje já não o é mais, ou seja, também pode perder.
Como tudo se dará mais na frente somente o amanhã vai desnudar, sem tirar nem por mostrando a verdadeira face do que ele quer e é no debate sobre o futuro da Paraíba sabendo de antemão que está diante de um adversário astuto e ágil.
