O debate não assumido

Em pleno tempo de Folia de Rua com tom voltado para o carnaval, de preferência tendo intelectuais e saudosistas sempre assumido por estas bandas o apreço maior pelo frevo em detrimento de outros ritmos musicais, fico imaginando o quanto de atraso nosso debate aufere.

É como se dúvidas e questionamentos vividos nos anos 60, 70 e tal – o Tropicalismo e a Bahia superaram isso lá atrás – ainda perdurassem em nossa tribo, como se não fossemos mutantes enquanto processo e geração.

Fico imaginando ainda o quanto de atrasado fomentamos quando rotulamos no carnaval tudo o que significa fora do frevo como descartável e insuportável, o que não é, posto que nas outras levadas e ritmos tem surgido coisa boa para se curtir durante e depois do carnaval.

Ora, em pleno tempo globalizado, é contra-producente a exclusão, especialmente do Axé – movimento baiano reconhecido pela critica nacional, mas ainda não digerido pela nossa inteligentzia tabajara, que tapa o nariz para o que se impõe pela diversidade e capacidade baina de produzir novidades.

Em plena Folia, chamou-me a atenção um movimento-protesto produzido por VIPs de João Pessoa provocado pela inquietude de Moacir Arcoverde de reivindicar, enquanto querer musical, a existência da Micaroa ou coisa parecida e seus ritmos derivados. Eles não se contentam apenas com os acordes de Capiba, de Livardo Alves ou Fuba – pois se sentem estimulados a buscar axé ou influências baianas.

Embora aparente coisa de elite – e não é apenas e só – pois as novas gerações são de mesmo agrado e busca, tanto que a maioria dos blocos e trios do Folia de Rua priorizam o axé, vejo que ainda haverá na UFPb ou ambiente acadêmico similar quem analise essa questão do ponto-de-vista antropológico, sociológico para explicar a tendência de João Pessoa de recusar a modernidade.

A ojeriza de intelectuais ao axé é tamanha da falsa moral que gera nos produtores e músicos do Folia de Rua e do mercado artístico local de não querer tratar abertamente o desejo de ganhar dinheiro com a produção do evento, embora essa seja a causa de conflitos locais.

Vou mais longe: acho que foi a reserva de mercado (financeiramente) quem provocou a “saída” do Muriçocas do Miramar do Folia. Não precisava nem precisa: basta assumir esse querer normal e legitimo, sem provocar a divisão posta.

Em síntese, é esse escopo de debate surdo – não assumido – que nos faz distantes de uma estágio de maturidade mercadológica, como a Cento e poucos quilômetros vive Campina Grande no trato de seus maiores eventos, que captam quase 10 vezes mais de recursos em comparação com os de João Pessoa. São 2, 3, 4 milhões na Micarande, Maior São João do Mundo, Encontro da Consciência – para se ter uma idéia.

Milagre? Capacidade superior? Nada disso. Campina aprendeu logo cedo que intercâmbio traz divisas e dinheiro ainda é a mola mestra do mundo. Com dignidade e tudo, menos com falso prurido onde não se acabe.

Viva o Moa – dos descontentes arcoverdeanos – que querem e assumem o querer do pão e do circo diversificado.

Chega de Ditadura, seja qual for.

Luta petronia

Poucas pessoas em João Pessoa percorrem como andarilho assumido os becos e ruas da cidade na busca de vê-la preservada no conjunto de sua obra aquitetônica, como Petrônio Souto – misto de muita coisa nesta aldeia.

Agora mesmo ele encasquetou com a condição do Beco da Faculdade de Direito – Rua Gabriel Malagrida de Ednamay – por sua pujança geográfica, mas péssimo aproveitamento estético.

Petrônio e uma reca de zelosos cidadãos da cidade agora apelam para a ação do prefeito Ricardo Coutinho, que já foi provocado pela turma.

Tribo eclética

Ângela e Efraim Morais mostraram neste sábado que mantêm a categoria na forma de recepcionar amigos e convidados, bem como na diversidade musical.

Ontem, no aniversário do futuro norte-riograndense George, eles apresentaram farta gastronomia regional ( à lá Picanha de Ouro), além do forro, frevo e samba ( viva a batucada e a porta estandarte ) com um show à parte agradando a gregos e troianos.

Particularmente, também por lá estive, luxuosamente acompanhado por Carla, cara metade, mas orgulhoso de ver a Malandros do Morro conquistando a beira-mar de Camboinha entrando pela rica porta da música de qualidade.

Franca recuperação

Além da torcida, o vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior, tem recebido os minos da família neste tempo de recuperação de acidente grave na estrada para Recife.

Depois do susto, Manoel Jr se recupera para retomar a rotina administrativa – logo ele que conquistou a inteira confiança de Ricardo Coutinho.

Umas & Outras

… O jornalista Eraldo Nóbrega já pode se considerar um futuro cidadão paulistano, lá para as bandas de Higienópolis. Pela fidalguia e conquista lusitana.

…Impressiona a leveza e novo timing do governador Cássio. Trocou o Big Brother pelo corpo-a-corpo, olho no olho, que faz mais diferença.

Última

“A nosso vida é um carnaval/
a gente brinca escondendo a dor…”

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