De uns dias para cá, o humor do governador Cássio Cunha Lima voltou a registrar tolerância e disposição de diálogo, diferente do que havia escasseado algum tempo lá atrás. Isso pode ser atestado, por exemplo, levando em conta as últimas reuniões com auxiliares, deputados da base aliada ou no vestir-se de branco, como na abertura do Fenart, sábado, quando se permitiu significar a paz.
Governar não é exercício fácil, portanto, se traduz em tarefa para poucos, sobretudo nos tempos atuais de bolsos cheios de vento e a retração de renda e emprego se espalhando de norte a sul.
Com ou sem liseu – e as sérias restrições orçamentárias, o fato é que Cássio refez o tom no trato do exercício governamental. Deletou o discurso admitindo até deixar a vida pública por força das distorções e mazelas no serviço público, parou de impacientar-se, portanto, recompôs o trato com a turma ao redor.
No último encontro com os auxiliares, por exemplo, o governador recomendou a todos que o ajudem na tarefa de expandir a comunicação dos programas e ações da administração na sociedade.
Parece questão óbvia, mas não é porque no início do governo, ele próprio havia dado ordens para estancar o vazamento de informações à Mídia, sob a tese de que não queria ficar refém desse processo.
Só que, de agora em diante, a batida do bumbo é outra pois sente necessidade dos cidadãos conhecerem os atos postos em prática.
No plano político partidário, Cássio amoleceu mais. Retomou o fluxo de interlocução com cada um dos membros da famosa base aliada, isso em termos de Assembléia Legislativa, assim como outras instâncias de cumplicidade, isto é, nos municípios.
Um dos deputados, pule de dez, dizia ao Colunista no fim-de-semana que a tensão foi pro espaço depois que o governador resolveu ouvir mais e produzir conversas com alguma freqüência visando afinar o discurso e harmonizar interesses futuros.
É esse escopo de dados e postura que tem reoxigenado o Chefe do Executivo para ter fôlego e enfrentar barras pesadas falta de dinheiro, melhor dizendo que de alguma forma têm a ver com o desempenho político do governador perante a opinião pública.
Se é assim pode até distender mais, sem capitular nem mudar de posição, mas permitindo a convivência protocolar com quem hoje não dialoga.
Não é à toa que Cássio nutre com interesse a abertura de diálogo com o PT em João Pessoa, mesmo sabendo da reação do PFL, que diz fugir do PT como o diabo foge da cruz. O mesmo acontece entre figuras petistas reagindo contrárias a essa condição.
Afora esse componente partidário, o governador tem recebido tantas demonstrações de deferência especial do presidente Lula no campo administrativo, daí não ser irreal pressupor entendimentos entre eles na Capital dentro de poucos dias.
Em síntese, há um novo fio emocional condutor em Cássio gerando novo timing na conduta da gestão, das articulações e de ser em si.
Posição do PT
O presidente regional do PT, Adalberto Fulgêncio, mantém o argumento de que na ótica do partido a prioridade na Capital é a manutenção da candidatura de Avenzoar Arruda na sucessão da Capital.
Esta é a pré-condição, adicionada especialmente do apoio ao Governo Lula, que permite ao PT abrir diálogo nos vários níveis.
Ruy e o diálogo
Outro interessado na questão é o deputado-secretário Ruy Carneiro, pré-candidato do PSDB, que, ontem, voltou a defender a abertura de diálogo com o PT na Capital.
Ruy entende que, a situação criada em Campina Grande, suscita terreno fértil para que se discuta o mesmo em João Pessoa.
PMDB intocável
Já no universo pemedebista, não há mudança de posição diante da pré-candidatura do deputado Manoel Júnior na disputa da Capital.
– A candidatura de Manoel Júnior tem se consolidado tanto entre os eleitores que, não se enganem, que se constituirá na novidade da disputa na Capital disse o presidente regional Haroldo Lucena.
Fátima Paulino
Depois de duas semanas em São Paulo, a ex-primeira dama, Fátima Paulino, já está em João Pessoa integrando o convívio familiar.
A partir de uma bateria de exames produzidos, os médicos que acompanham-na examinam a possibilidade de nova cirurgia.
IX Fenart
O Espaço Cultural recebeu um público extraordinário na abertura do IX Fenart para ver Ney Matogrosso e a Orquestra Sinfônica interpretarem canções famosas na voz do artista.
A estrutura do Fenart reproduz expositores comuns em outros anos, mas dá caráter próprio e especial na 9ª versão a partir da ambientação do Espaço com elementos de forte visibilidade, até mesmo dos patrocinadores.
Umas & Outras
… Uma boa notícia no Fenart: o autor e interprete Totonho e os Cabra revelação ano passado da música Pop estão confirmados com apresentação no Festival.
… O renomado médico João Medeiros aceitou ser vice do professor Luiz Renato na disputa para a Reitoria da UFPb, em 2004, mas com campanha sendo deflagrada já agora. É reforço indiscutível no processo.
… O Sebrae ocupa amplo espaço no Fenart expondo o artesanato paraibano.
… O desembargador Júlio Aurélio, os ex-vereadores Pedro e Carlos Coutinho e outros inúmeros familiares eram visto no Cemitério Senhor da Boa Sentença trabalhando pelo Instituto Padre Zé Coutinho.
… Ontem, em pleno domingo vazio dos mortos que vivos na memória estão, me flagrei mudo, choroso, por uma turma bacana agora no andar de cima. Maria Júlia, Antonio Cândido, Antonio Mariz, Olavo Uchoa, Livardo Alves eram alguns que produziram uma saudade danada. Vinicius sacou tanto o clima que horas depois digitou um poeta de arrepiar.
Última
`Naquele mesa está faltando ele/
e a saudade dele está doendo em mim…´
