SUS começa a oferecer mais nove medicamentos contra o câncer na Paraíba

Abemaciclibe

Pacientes com diferentes tipos de câncer atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passarão a ter acesso a nove medicamentos incorporados à rede pública, incluindo tratamentos para tumores de mama, próstata, pulmão, rim e estômago. A distribuição começou nesta semana e contempla inicialmente 20 centros especializados em 17 unidades da Federação, entre elas a Paraíba.

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A medida foi anunciada na terça-feira (20) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante agenda em São Paulo. Segundo o Ministério da Saúde, os novos tratamentos possuem 13 indicações oncológicas e poderão beneficiar mais de 116 mil pessoas.

Parte dos medicamentos já havia sido incorporada ao SUS há mais de uma década, mas ainda não era disponibilizada regularmente aos pacientes. A previsão do governo federal é ampliar a oferta para todos os centros de tratamento oncológico do país até o fim de 2026.

O investimento anual previsto para a aquisição dos nove medicamentos é de R$ 155,4 milhões.

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Hospital Napoleão Laureano participa de anúncio na Paraíba

Em João Pessoa, o anúncio foi acompanhado pelo assessor institucional para Assuntos Federativos do Ministério da Saúde, Adalberto Fulgêncio, durante agenda no Hospital Napoleão Laureano.

O representante do ministério afirmou que a ampliação da oferta permitirá o acesso a tratamentos que, anteriormente, muitas vezes dependiam de decisões judiciais.

“Esses medicamentos eram judicializados, o que significa dizer que poucas pessoas tinham acesso, poucas mulheres tinham acesso a esse tratamento e agora vai ser universalizado, que é o papel do Sistema Único de Saúde”, destacou.

Fulgêncio também comentou os possíveis benefícios dos novos tratamentos.

“Isso significa dizer o seguinte: que a sobrevida aumenta muito. Então a possibilidade de cura quando você tem essas drogas e esses tratamentos especializados gira em torno de 70%”, complementou.

Os resultados clínicos, entretanto, variam conforme o tipo de câncer, o estágio da doença e as condições de cada paciente. Os medicamentos não são indicados indistintamente para todos os casos.

Medicamento para câncer de mama pode custar R$ 366 mil na rede privada

Entre os tratamentos incluídos está o abemaciclibe, utilizado em determinadas situações de câncer de mama. De acordo com o Ministério da Saúde, o custo do medicamento pode chegar a R$ 366 mil na rede privada.

A lista também contempla o pazopanibe, indicado para câncer renal metastático, e a ampliação do uso do trastuzumabe, já empregado contra o câncer de mama, para pacientes com câncer de estômago.

Confira os nove medicamentos e suas indicações:

  • Abemaciclibe: câncer de mama precoce com características específicas e doença avançada ou metastática.
  • Trastuzumabe: câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.
  • Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos.
  • Pazopanibe: câncer renal de células claras metastático.
  • Rituximabe: leucemia linfocítica crônica e determinados tipos de linfoma.
  • Abiraterona: diferentes situações de câncer de próstata, incluindo doença metastática.
  • Gefitinibe: câncer de pulmão de não pequenas células, em primeira linha de tratamento.
  • TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide com indicação de tratamento com iodo radioativo.
  • Sunitinibe: câncer renal metastático e tumor estromal gastrointestinal avançado ou metastático após falha ao imatinibe.

A escolha de cada medicamento dependerá da avaliação médica e dos critérios clínicos estabelecidos para o tratamento.

Governo prevê 23 novos medicamentos até dezembro

A inclusão dos nove tratamentos faz parte de uma ampliação da assistência farmacêutica oncológica, vinculada ao programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025.

A expectativa do Ministério da Saúde é disponibilizar 23 novos medicamentos oncológicos até o fim deste ano, o que representaria uma expansão de 35% nas alternativas oferecidas pelo SUS.

Para viabilizar a medida, o governo federal assumiu a negociação e a compra direta de dez medicamentos. Outros nove serão adquiridos pelos estados por meio de atas de registro de preços, enquanto quatro terão o custeio garantido por repasses adicionais aos serviços oncológicos.

O impacto financeiro estimado para o conjunto das medidas é de R$ 4 bilhões anuais.

“Estamos ampliando e qualificando a rede de câncer em todo o país com o que tem de mais moderno e avançado. É uma transformação que coloca os pacientes no centro do cuidado, garantindo mais acesso a exames, diagnósticos precisos e tratamentos adequados, no tempo certo. Também estamos fortalecendo as condições de trabalho dos profissionais de saúde, com serviços mais estruturados e uma rede pública cada vez mais preparada para atender às necessidades da população”, afirmou Padilha.

SUS terá 400 mil testes para rastreamento do câncer de intestino

Outra medida anunciada pelo Ministério da Saúde é o início da distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais, conhecidos pela sigla FIT, destinados ao rastreamento do câncer colorretal.

O exame identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem estar associadas a pólipos, lesões pré-cancerígenas ou tumores.

A estratégia será voltada a homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas. Pessoas com resultado positivo serão encaminhadas para avaliação e, quando indicada, colonoscopia.

A implementação está prevista para começar em novembro, de maneira gradual, nas Unidades Básicas de Saúde de capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.

Segundo o ministério, o teste pode alcançar precisão de até 92%, dependendo do indicador utilizado. O exame funciona como triagem e não substitui a colonoscopia para confirmação diagnóstica.

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