O prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra (PSB), afirmou nesta segunda-feira (3) que estuda até mesmo romper a concessão da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (CAGEPA) na capital caso os problemas relacionados ao esgoto nas galerias pluviais e à falta de diálogo com a empresa persistam. Segundo ele, a gestão municipal enfrenta dificuldades para tratar de demandas da cidade com o presidente da companhia, Marcus Vinícius, com quem diz ter tentado marcar reuniões sem sucesso.
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“Já tentei três conversas com o Marcus Vinícius, ainda não conseguimos sentar com ele. Eu preciso que o secretário venha, sente numa mesa redonda comigo e converse das ações dos esgotos em João Pessoa”, afirmou.
Léo disse que a Prefeitura não busca conflito, mas atuação conjunta para solucionar problemas como vazamentos, obras de recomposição asfáltica e o lançamento de esgoto na rede de drenagem.
“Eu não estou atacando ninguém, eu quero resolver o problema. Antigamente era uma ação conjunta. Hoje eu faço minha operação totalmente separada”, relatou.
O prefeito criticou a qualidade das intervenções realizadas pela companhia após obras nas vias públicas e afirmou que a população acaba atribuindo os transtornos à administração municipal.
“Anda e veja. Eu chamo de ‘catabilho’, aquele remendo que a Cagepa vem fazendo na cidade. É horrível. Eu estou pagando o preço porque as pessoas acham que é a Prefeitura”, declarou.
Esgoto nas praias
Léo também voltou a apontar a Cagepa como responsável pelos problemas que resultam em episódios de contaminação das praias de João Pessoa.
Segundo ele, equipes da Prefeitura identificaram pontos onde o esgoto extravasa para a rede de drenagem pluvial, situação que acaba levando resíduos até o mar.
“Se a galeria está recebendo esgoto, é porque o sistema está subdimensionado. Quando o esgoto enche, ele vai para a galeria pluvial. O problema é da Cagepa”, declarou.
O prefeito afirmou que a Prefeitura tem atuado tamponando ligações irregulares, mas reconheceu que essa medida não resolve definitivamente a situação.
“Só tamponar não resolve. A Cagepa precisa fazer a parte dela. Quem recebe pela concessão do esgoto não sou eu.”
Possibilidade de romper a concessão
Durante a entrevista, Léo afirmou que avalia juridicamente todas as possibilidades caso não haja mudanças na prestação dos serviços, incluindo a interrupção da concessão.
“Se for o melhor para a cidade, eu estudo tudo. Se vou fazer ou não, vai depender do corpo técnico”, pontuou.
O prefeito também criticou a falta de participação da Prefeitura nas discussões sobre a concessão regional dos serviços de saneamento.
Segundo ele, João Pessoa, por ser superavitária na arrecadação da companhia, não pode ser prejudicada pelos novos modelos de gestão: “Eu não vou admitir que João Pessoa seja preterida. Nós somos superavitários e queremos que esse recurso seja investido aqui. João Pessoa não pode estar pagando a conta de outros municípios.”
Léo afirmou ainda que o município não foi consultado durante o processo de estruturação da concessão.
“A Cagepa terceirizou uma concessão sem nos consultar. A Prefeitura não foi chamada para discutir isso”, destacou.
Apesar das críticas, o prefeito disse que mantém disposição para construir uma solução conjunta: “Eu só quero parceria. O problema não é da Prefeitura nem da Cagepa. É da cidade de João Pessoa.”

