Os restos mortais do ex-presidente João Goulart chegaram, por volta das 12h50 desta sexta-feira (6), à São Borja, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Deposto com o golpe militar de 1964, Jango, como era conhecido, foi exumado para que sejam esclarecidas as circunstâncias de sua morte.
Policiais, correligionários do trabalhismo, além de autoridades federais e estaduais se concentraram pela manhã no Aeroporto de São Borja para as homenagens. Os restos mortais de Jango retornam para sua cidade natal no aniversário de 37 anos da morte do ex-chefe do Executivo. O ex-presidente morreu em 6 de dezembro de 1976, supostamente de infarto, mas, para a família, ele foi assassinado.
Em Brasília, o embarque do caixão do ex-presidente da República na Base Aérea foi acompanhado, em uma pequena cerimônia, pela viúva de Jango, Maria Thereza Goulart, pelo filho João Vicente Goulart e pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. Ao ingressar no avião cargueiro modelo C 105 Amazonas da FAB, a esquife estava coberta por uma bandeira do Brasil e foi carregada por quatro militares da Aeronáutica ao som da marcha fúnebre.
O avião decolou em direção ao Rio Grande do Sul às 8h21, mais de 1h20 depois do previsto. Uma comitiva formada por familiares de Jango e servidores do governo federal embarcou na mesma aeronave.
Honras militares em São Borja
Do Aeroporto de São Borja, após cerimônia militar, o esquife seria levado em cortejo até a Igreja Matriz do município. No local, haverá visitação do público a partir do meio dia e uma missa deve ocorrer após as 15h30.
Em seguida, o caixão será conduzido até o Cemitério Jardim da Paz, para ser enterrado novamente no jazigo onde no mês passado ocorreu a exumação, com objetivo de desvendar os mistérios que pairam sobre a morte. Indícios de que Jango possa ter sido vítima de envenenamento durante o exílio na Argentina levaram a família de Jango a solicitar ao Ministério Público Federal a investigação.
Entre as autoridades que têm presença confirmada estão a titular da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL) e Pedro Simon (PMDB), que era amigo de Jango e colaborador do trabalhismo na época da morte. Simon, Maria do Rosário, o prefeito de São Borja, Farelo Almeida (PDT), e João Vicente Goulart, um dos filhos de Jango, discursarão antes da devolução dos restos mortais ao jazigo da família.
Como o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, está na China para compromissos, o presidente da Assembleia Legislativa, Pedro Westphalen (PP), representa o executivo gaúcho durante as cerimônias.
Morte no exílio
Jango morreu em 6 de dezembro de 1976 em sua fazenda em Mercedes, na Argentina.Cardiopata, ele teria sofrido um infarto, mas uma autópsia nunca foi realizada. Na última década, evidências levantaram a hipótese de que o ex-presidente tenha sido envenenado por agentes das ditaduras uruguaia e argentina, em colaboração com o governo brasileiro.
A
principal delas foi o depoimento dado pelo ex-espião uruguaio Mario Neira Barreiro ao filho de Jango, João Vicente Goulart, em 2006. Preso por crimes comuns, ele cumpria pena em uma Penitenciária de Charqueadas, no Rio Grande do Sul. Disse que espionava Jango e que participou de um complô para introduzir uma substância mortal nos medicamentos que o ex-presidente tomava.
Em 2007, a família de Jango solicitou ao Ministério Público Federal (MPF) a reabertura das investigações. O pedido de exumação foi aceito em maio deste ano pela Comissão Nacional da Verdade (CNV).
