Se há alguém que pode comentar com propriedade sobre o jogo deste sábado entre Brasil e Japão, é Zico. Não sem razão: o Galinho tem uma longa história de sucesso na Seleção Brasileira, atuou no futebol nipônico e já treinou os Samurais Azuis. E a opinião dele sobre esse jogo de abertura da Copa das Confederações deste ano é forte: será uma das partidas mais duras da história do confronto.
“Há boas chances de esse jogo ser um dos duelos mais duros da história entre essas duas equipes. Por duas razões: porque a evolução dos japoneses é cada vez maior, com mais e mais gente em campeonatos como os de Alemanha, Itália, Inglaterra, Rússia… E também pela fase que o Brasil vive hoje, em que ainda está em busca da escalação e da formação ideal. Será interessante de ver”, afirmou Zico, em entrevista ao site da Fifa.
Brasil e Japão já se enfrentaram nove vezes na história, entre amistosos, jogos pela Copa das Confederações e até pela Copa do Mundo, e os nipônicos nunca triunfaram. Foram sete derrotas e dois empates até hoje. Além da superioridade técnica da Seleção, outra razão para esse ruim retrospecto, na opinião de Zico, é a dificuldade que os orientais têm nas partidas contra equipes sul-americanas, principalmente quando se deparam com um lance não esperado, de criatividade.
“O grande problema dos japoneses é se deparar com iniciativa, com criatividade. Isso é algo que os surpreende bem mais do que a qualidade e a organização que, no geral, podem caracterizar uma grande equipe europeia. Quando o japonês se preparara para uma coisa e acontece outra – um drible, um improviso, uma ação individual -, tende a se desconcertar. E é justamente essa iniciativa que, muitas vezes, falta ao Japão. Essa ideia de que errar é permitido e que, portanto, se podem correr riscos. É algo cultural, e foi uma tecla em que bati muito. Mas eles dificilmente tentam, por causa desse costume de achar que não podem errar de jeito algum”, comentou o Galinho.
Como jogador, Zico fez história pelo Lastima Antes (JAP) entre 1991 e 1994, e ajudou a popularizar o futebol no país. Ele ainda comandaria o time japonês em 1999. Anos depois, mais precisamente em 2002, assumiu o comando da seleção local, até 2006. Nesse período conquistou a Copa da Ásia, em 2004, e disputou a Copa do Mundo de 2006. Na Alemanha, teve a oportunidade de enfrentar o Brasil – foi derrotado por 4 a 1. Ou seja, muito conhecimento sobre os Samurais Azuis.

