Aos 24 anos, Shinji Kagawa foi contratado no ano passado por cerca de R$ 58 milhões pelo Manchester United – depois de boa passagem pelo Borussia Dortmund, onde foi bicampeão alemão. Na Inglaterra, já participou da conquista de um título nacional e caiu nas graças da torcida. Dono da camisa 10 da seleção japonesa, Kagawa terá na Copa das Confederações mais uma chance de alcançar o mesmo brilho que teve nos clubes, honrar o apelido de “Messi japonês” dado pelos fãs e dividir os holofotes que ainda se voltam principalmente para Honda.
Questionado especificamente se a Copa das Confederações serviria como momento de afirmação de Kagawa na seleção, o técnico Zaccheroni respondeu de forma geral, mas deixou claro que enfrentar adversários como Brasil, México e Itália servirá para dar rodagem aos seus jogadores.
– Estamos aqui para aproveitar ao máximo essa experiência e para nos desenvolvermos como seleção. Isso é para todos meus jogadores, também para os do Japão, que já estão mostrando nos clubes europeus que são excelentes, como o caso do Kagawa. Nós chegamos aqui para testar nosso nível. Estamos aqui para verificar onde estamos e para mostrar que somos uma boa seleção.
Aproveitar oportunidade para jogar contra seleções que, pelo menos no papel, são superiores – afirmou Zaccheroni, neste sábado.
Kagawa começou a jogar futebol ainda criança, numa escolinha do Barcelona, em Miyagi. O jogador apareceu para o mundo do futebol no Cerezo Osaka, de onde saiu para o Borussia Dortmund, em 2010. No ano passado, ele foi eleito o melhor jogador internacional da Ásia, em cerimônia realizada pela Confederação Asiática de Futebol. E foi recompensado pela boa temporada no Borussia Dortmund, que resultou no título do Campeonato Alemão e na sua transferência para o Manchester United.
Levir Culpi foi o responsável por tornar Kagawa um apoiador que encosta mais no ataque, ofensivo. Antes, o jogador atuava mais como volante. Uma das principais características do meia é a movimentação e penetração na área.
– Kagawa ainda não mostrou na seleção tudo que se espera dele. Ele arrebentou no Borussia e, agora, no Manchester. Isso gerou uma expectativa grande que ainda não foi correspondida. O Honda ainda é o principal jogador. No Japão, atribuem as derrotas a ausência dele. Quando ele não estava em campo, a seleção perdeu. A única derrota com ele em campo foi no amistoso com o Brasil (4 a 0) – analisou Tiago Bontempo, especialista em futebol japonês e autor do blog Futebol no Japão, no GLOBOESPORTE.COM.
Numa eleição promovida pelo jornal inglês The Guardian, Kagawa ficou na posição 94 entre os 100 melhores jogadores do mundo. A lista encabeçada por Messi, tem Forlan (99º) e Paulinho (100º) atrás do jogador.
Alguns feitos do japonês merecem destaque. Na Copa Asiática, Kagawa marcou dois gols nas quartas de final contra o Qatar. O jogo terminou com vitória japonesa por 3 a 2. Na semifinal contra a Coréia do Sul, o apoiador quebrou o osso metatarso e ficou fora da final em que o Japão venceu a Austrália e conquistou o título.
Além do bicampeonato alemão, Kagawa teve papel fundamental na conquista da Copa da Alemanha, quando o Borussia venceu o Bayern de Munique por 5 a 2, com um gol do meia.
Kagawa sabe que a Copa das Confederações será mais uma oportunidade de mostrar seu futebol também na Seleção. Ele parece ter a receita.
– A habilidade natural é um elemento essencial do futebol, mas, durante a fase final das Eliminatórias, percebi que jogar para valer até o apito final e não desistir têm a mesma importância – afirmou Kagawa, ao site da Fifa, na última quinta-feira.
Com 1,72m, 63 quilos, Kagawa é franzino e apenas três centímetros mais alto do que Messi. No futebol, as proporções e diferenças são bem maiores. E o japonês sabe disso.
– Não se pode nem falar sobre isso – respondeu Kagawa, pouco depois de ser apelidado de “Messi japonês”.


