58% dos brasileiros avaliam que a economia do país beneficia apenas a classe mais rica

58% dos brasileiros avaliam que a economia do país beneficia apenas a elite
(Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil)

A avaliação de que a economia brasileira beneficia prioritariamente a elite e os mais ricos se consolidou como um ponto de convergência entre brasileiros de diversas correntes políticas. De acordo com a pesquisa Percepções da Economia Brasileira, 58% dos entrevistados compartilham a visão de que o sistema econômico do país atua de forma desigual e favorece os grupos mais poderosos.

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O levantamento, divulgado originalmente pelo blog da jornalista Miriam Leitão, em O Globo, foi realizado pela Ipsos para o Global Fund for a New Economy (GFNE). A pesquisa ouviu on-line duas mil pessoas com 18 anos ou mais, das classes ABC, entre junho e julho.

Os dados indicam que, apesar da polarização política, há convergência relevante em temas econômicos. Entre os entrevistados, 47% defendem um governo forte, com capacidade de investir no desenvolvimento de longo prazo e orientar o crescimento econômico. Essa posição aparece em diferentes grupos políticos, incluindo entrevistados classificados como pró-PT, contrários ao PT e inconsistentes, além de pessoas que aprovam ou desaprovam o governo.

Também há maioria favorável à manutenção do controle estatal sobre empresas consideradas estratégicas, posição apoiada por 59% dos entrevistados. A atuação do governo sobre os preços dos combustíveis recebe apoio ainda maior, de 66%. Já 43% afirmam que o governo deveria ter poder para obrigar o Banco Central a reduzir os juros. Entre os que aprovam o governo, esse índice chega a 49%; entre os que desaprovam, fica em 41%.

O economista-chefe do GFNE, Pedro Rossi, afirma que os resultados mostram uma insatisfação ampla com o modelo econômico atual. “A pesquisa mostra que há uma insatisfação com a forma como a economia funciona, de maneira geral. Existe o entendimento de que os ricos são sempre os beneficiados e uma defesa de um Estado mais intervencionista, antiliberal, que atue pelo desenvolvimento, mas que também controle preços e proteja o cidadão”, disse.

De acordo com Rossi, a polarização se torna mais evidente quando os entrevistados avaliam programas diretamente associados a um campo político. É o caso do Bolsa Família, que tem maior desaprovação entre pessoas classificadas como consistentemente contrárias ao PT. Entre os grupos pró-PT e inconsistentes, o programa é bem avaliado.

O levantamento também mostra forte apoio a propostas trabalhistas e tributárias. O fim da escala 6×1, com jornada de 40 horas semanais e sem redução salarial, é defendido por 73% dos entrevistados. Mesmo entre os que se opõem ao governo, o apoio permanece alto, em 60%.

A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil é considerada importante ou muito importante por 69% dos participantes da pesquisa. Mais da metade também afirma que o governo deve priorizar o que considera melhor para os brasileiros, independentemente da reação do mercado.

Rossi chama atenção para uma divisão interna entre apoiadores do governo quando o tema é o arcabouço fiscal. “É interessante que, quando a pergunta é sobre o arcabouço fiscal, implementado pela atual gestão, enquanto 58% dos que aprovam o governo defendem sua flexibilização, 50% defendem o respeito aos limites para evitar o crescimento da dívida”, afirmou.

A pesquisa ainda compara plataformas econômicas. A agenda tradicionalmente associada à esquerda, com prioridade ao salário mínimo, ao Bolsa Família e à ampliação de programas de renegociação de dívidas, teve preferência de 46% dos entrevistados, contra 39% da plataforma de direita.

Já a plataforma chamada de “nova economia”, voltada a medidas contra altas excessivas de preços em setores essenciais, tributação de pessoas extremamente ricas e reconhecimento do trabalho de cuidado, teve apoio de 59%, contra 27% da plataforma de direita.

Para Rossi, os dados mostram que a convergência econômica ultrapassa a divisão partidária. “Há uma adesão maior a uma visão econômica mais alinhada à centro-esquerda, que poderia ser encampada também por uma direita não liberal. Isso mostra que a convergência em relação à economia escapa da polarização política”, declarou.

Crédito: Brasil 247

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