O uso do crédito rotativo do cartão de crédito somou R$ 109,65 bilhões no primeiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central. O volume representa crescimento de 9,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando essa modalidade movimentou R$ 99,9 bilhões.
Considerado uma das linhas de crédito mais caras do mercado, o rotativo registrou taxa média de juros de 428,3% ao ano em março. A modalidade é acionada quando o consumidor não consegue pagar o valor total da fatura até a data de vencimento e quita apenas parte da dívida.
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De acordo com o Banco Central, cerca de 101 milhões de brasileiros possuem cartão de crédito, o equivalente a quase metade da população. Desse total, aproximadamente 40 milhões estavam endividados no rotativo em janeiro deste ano.
A inadimplência nessa linha de crédito também chama atenção. Segundo os dados oficiais, o índice chegou a 63,5%, indicando que mais de R$ 60 a cada R$ 100 emprestados não foram pagos.
Desde janeiro de 2024, uma regra aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo governo federal limitou o crescimento dessas dívidas. Pela norma, o valor total devido não pode ultrapassar o dobro da dívida inicial. Assim, um débito original de R$ 100, por exemplo, não poderá superar R$ 200 com juros e encargos.
No mês passado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que muitos brasileiros têm recorrido a linhas emergenciais, como o rotativo, para complementar a renda mensal. Segundo ele, o desafio é criar alternativas de crédito mais adequadas e sustentáveis para a população.
Com esse objetivo, o governo federal lançou no ano passado o crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, modalidade que já liberou mais de R$ 80 bilhões em um ano. A promessa de utilizar o saldo do FGTS como garantia para reduzir juros, porém, ainda aguarda regulamentação.
Além disso, a equipe econômica estuda um novo programa de renegociação de dívidas. A proposta prevê reunir débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal em uma única operação refinanciada, com descontos entre 30% e 80% nos juros, podendo chegar a até 90% em alguns casos. O uso de recursos do FGTS para quitar parte dessas dívidas também está em análise pelo governo.