Fila do INSS bate recorde e pressiona mudança na gestão do órgão

Mesmo com queda em março, número de pedidos pendentes segue elevado e motiva troca no comando da Previdência

Foto: Reprodução

A quantidade de pedidos em análise no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atingiu um patamar recorde em fevereiro, chegando a 3.127.690 requerimentos pendentes. Embora tenha havido redução em março, quando o total caiu para 2.793.618, o volume ainda permanece distante de ser zerado, uma das promessas do governo federal.

O crescimento da fila, que vem sendo observado desde meados de 2024, foi determinante para a saída do então presidente do órgão, Gilberto Waller. Segundo o Ministério da Previdência, o principal problema foi a falta de avanço no enfrentamento do estoque de processos.

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Em março, os dados mostram que a maior parte dos pedidos pendentes está relacionada a benefícios previdenciários. Cerca de 900 mil solicitações envolvem aposentadorias, enquanto 690 mil dizem respeito a benefícios assistenciais e 671 mil aguardam perícia médica. Apesar do alto volume, a maioria dos requerimentos está em análise há menos de 45 dias.

A demanda por novos pedidos também segue em alta. Em março de 2026, a média diária chegou a 61 mil solicitações, superando os 59 mil registrados no mês anterior. Ainda assim, o INSS afirma ter concluído 1,625 milhão de processos no período, o que contribuiu para uma redução de aproximadamente 334 mil casos no grupo de Reconhecimento Inicial de Direitos (RID), uma queda de quase 11% no estoque.

Esse grupo reúne solicitações como aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. A diminuição no número de processos represados representa um alívio parcial para quem aguarda a concessão desses direitos.

Para enfrentar o problema, o INSS tem adotado estratégias como a nacionalização da análise dos pedidos, permitindo que servidores de diferentes regiões atuem em processos de locais com maior demanda. Também foram realizados mutirões administrativos e de perícia, além da criação de equipes especializadas para lidar com casos mais complexos.

De acordo com o ministro da Previdência, a mudança na presidência do órgão reflete uma nova fase na gestão. Ele afirmou que, embora o trabalho anterior tenha melhorado procedimentos internos, não houve avanço suficiente na redução da fila, que continuava crescendo sem controle.

Com a saída de Waller, assume o comando do INSS Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira que ingressou na instituição em 2003. Ela já ocupou cargos de destaque, como a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), e exercia a função de secretária executiva adjunta do Ministério da Previdência.

A troca ocorre em meio a um histórico recente de crises no instituto. Waller havia assumido a presidência em abril de 2025, após investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União revelarem um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. A apuração aponta que os valores envolvidos podem chegar a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, embora ainda não esteja definido quanto desse total foi irregular.

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