Quando a população é perguntada sobre sua principal preocupação, a resposta ser imediata: segurança pública. Ele altera a rotina das famílias, assombra o comércio e reconfigura o ir e vir das mulheres. A recente e dolorosa perda de um agente de segurança na Paraíba, no estrito cumprimento do dever, impõe ao Estado um luto profundo, mas exige, sobretudo, um diagnóstico honesto e corajoso. O sacrifício das nossas forças policiais é o aviso mais límpido de que a segurança pública não pode ser convocada apenas no momento derradeiro da repressão.
A Paraíba, felizmente, ostenta indicadores superiores aos de grande parte do país. Os investimentos expressivos do Governo do Estado, a modernização das polícias e a valorização profissional consolidaram uma política reconhecida nacionalmente. Esses avanços são patrimônio do nosso povo e precisam ser preservados. Contudo, a própria sofisticação da criminalidade avisa: chegou a hora de dar um salto qualitativo.
A experiência internacional ensina que nenhum território reduz a violência de forma sustentável apostando unicamente no confronto. Polícias fortes, Ministério Público atuante e Judiciário célere são vitais, mas todos entram em cena quando a tragédia já se consumou. A pergunta central da gestão pública moderna precisa mudar: como impedir que o crime aconteça?
A violência não surge do nada. O homicídio é antecedido pelo conflito não mediado; o feminicídio, pelas ameaças ignoradas; a violência juvenil, pela evasão escolar e falta de perspectiva. Quando o Estado reage apenas após o delito, ele atesta o fracasso prévio de uma cadeia de políticas sociais. É na identificação precoce das vulnerabilidades que reside a grande virada de chave.
É exatamente aqui que a Defensoria Pública emerge não apenas como garantia de direitos, mas como um ativo estratégico de inteligência preventiva para o Poder Executivo.
Se a polícia identifica o crime consumado, a Defensoria enxerga — no atendimento diário às mulheres ameaçadas, aos jovens em risco e às comunidades vulneráveis — os sinais de fumaça que antecedem o incêndio. Incorporar esse ecossistema de dados ao planejamento estratégico da Segurança Pública significa antecipar a crise. Cada núcleo fortalecido da Defensoria é um radar capaz de mapear tensões territoriais e estancar a escalada da violência antes que ela vire estatística policial.
Trata-se, também, de rigorosa responsabilidade fiscal. Prevenir custa infinitamente menos do que remediar. Um único homicídio mobiliza socorro médico, perícia, investigação, processo judicial e o sistema penitenciário, sem contar o imensurável custo humano e econômico para as famílias. Fortalecer a prevenção é otimizar o dinheiro do contribuinte.
Nenhuma instituição resolverá esse gargalo sozinha. Mas a Defensoria Pública tem as ferramentas para ser o elo que transforma a reação em prevenção.
O desafio da próxima década na Paraíba é consolidar uma governança integrada em eixos claros: usar a prevenção como indicador oficial, unificar bases de dados institucionais, estruturar o combate contínuo ao feminicídio por gestão de risco e expandir a mediação comunitária. Essa é uma agenda que fortalece as instituições, preserva vidas, racionaliza os gastos públicos e aproxima o poder público daquilo que realmente importa: garantir que cada cidadão possa viver com liberdade, dignidade e segurança.

