A verdadeira essência de governar é assumir responsabilidades, estabelecer prioridades e administrar com absoluta transparência. E é exatamente nesse ponto que surge um dos grandes debates sobre a atual forma de governar o Estado da Paraíba e também a cidade de João Pessoa.
A Paraíba e sua capital vivem um momento de forte expansão econômica, crescimento imobiliário, aumento da arrecadação e grandes anúncios de investimentos. Obras importantes existem, ações administrativas também existem, mas a sociedade começa a exigir algo além da propaganda institucional: quer transparência plena, planejamento estratégico, infraestrutura eficiente e prioridades mais próximas da realidade da população.
Governar não pode ser apenas inaugurar obras, anunciar investimentos e produzir marketing administrativo. Governar é enfrentar os problemas estruturais que permanecem afetando diretamente a vida do povo.
Infraestrutura não significa apenas construir viadutos, asfaltos e prédios públicos. Infraestrutura é garantir que o crescimento aconteça de forma organizada, segura e sustentável. É investir em abastecimento d’água, esgotamento sanitário, drenagem, mobilidade urbana, energia, fiscalização urbana, contenção de áreas de risco, preservação ambiental e qualidade de vida.
João Pessoa vive hoje um dos maiores ciclos de verticalização da sua história. A cidade cresce rapidamente, novos bairros se expandem, grandes empreendimentos surgem e o mercado imobiliário vive um momento de intensa valorização. Porém, cresce também a preocupação sobre a capacidade da infraestrutura urbana acompanhar essa velocidade de crescimento.
A população começa a perceber que governar João Pessoa exige mais do que estética urbana, obras visíveis e marketing digital eficiente. Exige planejamento urbano profundo. Exige pensar a cidade para os próximos 20, 30 ou 40 anos.
As perguntas começam a surgir nas ruas:
O sistema de drenagem suporta o crescimento da cidade?
O abastecimento d’água conseguirá atender a expansão imobiliária?
O sistema de esgotamento sanitário está preparado?
A mobilidade urbana suportará o aumento da frota?
Existe fiscalização suficiente nas obras e nos edifícios cada vez mais altos?
Os hospitais, escolas e serviços públicos acompanharão esse crescimento populacional?
João Pessoa vive uma transformação urbana acelerada, mas parte da população teme que a infraestrutura esteja crescendo em velocidade inferior ao mercado imobiliário.
Ao mesmo tempo, a atual forma de governar tanto o Estado quanto a capital tem sido marcada por forte presença de publicidade institucional, anúncios de investimentos e obras estruturantes. Porém, cresce na sociedade o sentimento de que transparência, fiscalização rigorosa e participação popular precisam avançar no mesmo ritmo das obras e dos negócios.
A discussão sobre saneamento, Cagepa, PPPs, mobilidade, drenagem, preservação ambiental, ocupação urbana e expansão imobiliária deixou de ser apenas técnica. Tornou-se uma discussão social, econômica e humana.
Porque quando faltam planejamento e fiscalização, quem sofre é a população:
é o cidadão preso no trânsito;
é a família atingida pelas enchentes;
é o morador preocupado com a falta d’água;
é o pedestre sem mobilidade;
é o contribuinte pagando impostos altos sem receber serviços proporcionais.
Governar exige coragem para ouvir críticas.
Exige humildade para corrigir erros.
Exige responsabilidade para administrar o dinheiro público com absoluta transparência.
A Paraíba e João Pessoa precisam avançar não apenas em concreto, vidro e arranha-céus. Precisam avançar em infraestrutura verdadeira, saneamento, mobilidade, fiscalização, planejamento urbano, proteção ambiental e respeito ao cidadão.
Porque um governo forte não é aquele que apenas aparece.
É aquele que resolve.
É aquele que presta contas.
É aquele que prepara o presente sem comprometer o futuro.
E é aquele que faz a população sentir segurança, confiança e respeito pelo dinheiro público.
