A questão da Cagepa não pode ser tratada como assunto secundário. Estamos falando de água, esgotamento sanitário, saúde pública, dignidade humana e desenvolvimento econômico.
Durante décadas, a Cagepa foi tratada com indiferença por sucessivos governos. Uma empresa estratégica para a vida dos paraibanos não poderia ter sido vista como cabide de empregos, moeda política ou estrutura administrativa sem eficiência proporcional à sua importância.
Agora, diante da Parceria Público-Privada vencida pela espanhola Acciona para serviços de esgotamento sanitário em 85 municípios, com prazo previsto de 25 anos e investimentos estimados em cerca de R$ 3 bilhões, a sociedade precisa exigir transparência, debate e explicações claras.
Não se pode escolher apenas os municípios economicamente viáveis e deixar o restante da Paraíba à margem. Saneamento básico não é mercadoria comum. É obrigação pública, direito social e questão de saúde coletiva.
Onde estavam os deputados estaduais, federais, senadores, prefeitos, vereadores e governadores quando faltaram investimentos permanentes em abastecimento d’água e esgotamento sanitário? Por que a cobrança por recursos federais não foi mais firme? Por que a população ribeirinha, os bairros pobres e os municípios menores continuam convivendo com ausência de esgotamento Sanitário, lama, abandono e improviso?
Privatizar ou conceder serviços essenciais sem amplo debate com consumidores, prefeitos, câmaras municipais, Ministério Público, entidades técnicas e sociedade civil é um erro grave.
A Paraíba precisa discutir não apenas quem vai operar o sistema, mas quem vai fiscalizar, quais metas serão cumpridas, quais tarifas serão cobradas, quais municípios serão atendidos primeiro e quais punições existirão em caso de descumprimento.
Água e saneamento não podem ser tratados como negócio de bastidor. São vida, saúde e futuro.
Fica o alerta: antes de entregar, é preciso explicar. Antes de assinar, é preciso debater. Antes de comemorar investimento, é preciso garantir fiscalização.
A Cagepa pertence à história e à responsabilidade pública da Paraíba. O povo paraibano tem o direito de saber exatamente o que está sendo feito em seu nome. Leonardo Forte!
