O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, avaliou que o deputado federal paraibano Hugo Motta (Republicanos-PB) reúne força política e tem grandes chances de conquistar a reeleição à presidência da Câmara dos Deputados. Em entrevista à CNN Brasil, Kassab também comentou a disputa pelo comando do Senado e considerou possível o surgimento de uma candidatura de centro para concorrer ao cargo.
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Na avaliação do dirigente do PSD, a composição política formada após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais favorece a articulação de Hugo Motta. Segundo Kassab, o governo precisa buscar apoio de partidos de centro para construir maioria no Congresso Nacional.
O presidente do PSD afirmou que Lula não conseguiria viabilizar um candidato próprio do campo da esquerda para comandar a Câmara e que, por isso, estaria buscando alianças com outras forças políticas.
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“Então ele [Lula] está se compondo com o centro, o centro tem o nosso partido, tem o Centrão e está se desenhando a candidatura de Hugo Motta. Hugo Motta é realmente um candidato hoje, inquestionavelmente, está com bastante força e com grandes chances de ser o candidato vitorioso”, declarou.
Kassab avalia força política de Hugo Motta
Kassab também comparou o cenário atual com uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial contra Lula. Segundo ele, caso o parlamentar tivesse vencido a eleição, teria condições de reunir uma maioria confortável para comandar a Câmara dos Deputados.
Com a vitória de Lula, entretanto, o presidente precisaria ampliar sua articulação política e negociar com partidos de centro para garantir apoio no Legislativo.
Nesse contexto, Kassab considera que Hugo Motta aparece em posição favorável para disputar novamente o comando da Câmara, diante da força política que, segundo ele, o deputado vem reunindo.
Disputa pelo Senado pode ter candidatura de centro
Ao comentar a eleição para a presidência do Senado, Kassab apontou um cenário mais indefinido. Segundo ele, setores da esquerda articulam apoio ao atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), enquanto grupos da direita se movimentam em torno do senador Rogério Marinho (PL-RN).
Na avaliação do dirigente, uma candidatura de centro poderá ganhar espaço caso os dois grupos avaliem que seus nomes não têm votos suficientes para vencer a disputa.
Kassab afirmou que a direita poderia preferir apoiar um candidato de centro a sofrer uma derrota para um nome ligado ao governo. O mesmo raciocínio, segundo ele, poderia ser adotado por aliados de Lula caso percebam dificuldades para garantir a vitória de Alcolumbre.
“No Senado é um pouco diferente. A esquerda está vindo em apoiar o Davi, a direita, o Rogério Marinho. O que que eu percebo: se a direita com o Rogério Marinho perceber que não pode ganhar, ela pode preferir ganhar com alguém do centro do que perder para a esquerda — a esquerda que eu digo, o candidato do governo”, afirmou.
Terceira via pode alterar articulações no Senado
Kassab acrescentou que a possibilidade de uma candidatura alternativa pode modificar o cenário da disputa, atualmente concentrado nas articulações em torno de Alcolumbre e Marinho.
“O candidato do governo, que tudo leva a crer será o Davi, perceber que não vai ganhar talvez prefira caminhar com alguém do centro do que perder. Acredito que possa haver um jogo no Senado e as pessoas imaginando que está entre o Rogério Marinho e o Davi e de repente surge um tertius que pode ser competitivo”, concluiu.
A avaliação do presidente do PSD aponta, portanto, para cenários distintos nas duas Casas do Congresso: Hugo Motta em posição de força na disputa pela Câmara e maior indefinição no Senado, onde uma candidatura de centro poderia reunir apoio de diferentes setores políticos.


