O mercado estrangeiro ainda parece um sonho distante para grande parte dos pequenos empreendedores paraibanos. No entanto, o caminho para esse objetivo já começou a se tornar mais viável e estruturado.
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O número de pequenas empresas exportando deu um salto significativo no período de 7 anos – saindo de 6.841 em 2018 para 11.655 em 2025. Considerando o total de 305.866 pequenos negócios na Paraíba, é possível identificar um cenário favorável para ampliar a atuação do estado no estrangeiro.
E para os empresários que já começam a pensar na possibilidade, o Programa de Incentivo à Exportação (PIEX), é uma opção de primeiro passo. A iniciativa é um convênio do Sebrae com a Apex Brasil que é oferecido de forma gratuita para micro e pequenas empresas que passam por diagnóstico do negócio, identificação do potencial do produto e construção de um plano de ação.
Qual é o primeiro passo?
Para Cordélia Cirino, ouvidora do Sebrae e coordenadora do programa na Paraíba, a identificação do potencial do produto é o passo inicial para quem deseja vender para fora do país.
“Então, vamos verificar: o meu produto é aceitável aqui dentro do país, mas se eu for passar para outro país, quais são as adequações que eu tenho que fazer nesse produto para ele poder chegar nesse nesse meu cliente lá fora? Então, isso é o mais importante”, explicou a coordenadora em entrevista exclusiva ao Portal WSCOM.
Após essa etapa, o empresário que dá início ao programa passa por outras fases, como análises da documentação e dos planos de trabalho, e é preparado para os planos de exportação – sempre guiado por uma equipe formada por um monitor e um grupo de técnicos da instituição.
No entanto, mesmo com a simplicidade para ingressar no programa – que dura de dois a quatro meses –, o principal empecilho dos empresários ainda está relacionado a falta de informação.
“Em muitos deles [empresários] a gente percebe que tem um ainda um pouco de receio, e acreditam que talvez não tenham o potencial de fato para exportar os seus produtos. E a gente costuma desmistificar um pouco, justamente realizando eventos como esse que a gente tá realizando agora. Então, a cada mês nós temos capacitações coletivas com temas variados. No mês passado, por exemplo, foi sobre precificação, taxas de importação”, revelou Luciana Albuquerque, uma das monitoras do programa.
Potencial da moda artesanal e independente

Jane Costa, empresária de biojóias artesanais (Foto: Portal WSCOM
Nesta quarta-feira (26), o Sebrae realizou o lançamento do “Exporta Moda Paraíba”, com o objetivo de incentivar empresários do segmento a começarem a enxergar exportação como um caminho real para seus negócios. Para Carla Bezerra, gestora de Moda do Sebrae João Pessoa, esse momento foi pensado para enfatizar o potencial do segmento.
“O pessoal da moda autoral tem muito talento e potencial pro mercado exterior. Como também o pessoal da economia criativa e artesanato foram muito bem-vindos durante esse momento aqui. A gente reconhece que existe talento aqui na Paraíba”, disse.
Sobre o perfil dos empreendedores de moda na Paraíba, Carla afirmou que “ele é bem diversificado. A gente vai ter pessoas que realmente já estão numa fase mais avançada e já estão até no ponto pra inclusive exportar. Mas também vamos ter pessoas que estão naquela fase bem inicial e que o Sebrae quer chegar junto dando a mão até mesmo para como se planejar e fazer a gestão do seu negócio.”
Marcas como a Use Telu, fundada por um grupo de três amigas de infância, afirmam que a participação no programa foi essencial para expandir os planos futuros da empresa.
“Saber da existência das possibilidades já amplia um pouquinho os nossos horizontes, sabe? Eu acho que saber, por exemplo, da existência de dos eventos, das rodadas de negócio, que a gente não sabia que existiam, dos editais e tudo isso. Então acho que o próximo passo é começar a estudar um pouquinho mais desse assunto, participar desses eventos, enfim, ficar de olho para eventualmente a gente chegar nesse patamar da exportação”, projetou Raquel, uma das fundadoras.
Já Jane Costa, fundadora da Jane Costa Biojóias, relatou que também está colhendo os frutos da capacitação. Após mais de uma década produzindo acessórios a partir de materiais orgânicos, agora Jane já se sente pronta para atender diretamente o cliente estrangeiro.
“Agora, essa ideia de exportar e saber que o meu produto é aceitável, os próprios clientes estrangeiros que passaram isso para mim. […] Eu sei que é aceitável, sabe? Eu só não sabia como fazer isso. Agora eu sei. Eu tô preparada”, disse.
“Eu tô com um monte de informação. Quando chegar o cliente, eu já sei como me portar. Ela [a mentora] me orientou. Tem que ir direto ao ponto […]. Ela me orientou: ‘Jane, tem uma postura, tem uma ética para lidar com estrangeiros’. Então, isso é fundamental. E eu sei que ela não vai me deixar […]. Eu não vou estar sozinha”, concluiu a empresária.