PF retoma negociações para delação premiada de Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro em contexto de investigação no STF
(Foto: Reprodução / Esfera)

A Polícia Federal decidiu retomar as negociações para um possível acordo de delação premiada com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As tratativas haviam sido interrompidas na semana passada após investigadores identificarem omissões e inconsistências nos primeiros rascunhos apresentados pela defesa do empresário.

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, a PF protocolou uma petição no gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, comunicando a disposição da corporação em avaliar uma nova proposta de colaboração.

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Como o primeiro processo de negociação foi encerrado sem acordo, o rito jurídico determina que as tratativas sejam reiniciadas do zero, incluindo a assinatura de um novo termo de confidencialidade.

Mudança na defesa destravou negociações

A retomada do diálogo ocorreu após mudanças na condução da defesa de Vorcaro. O advogado José Luis Oliveira, conhecido como “Juca”, deixou a linha de frente do caso, que passou a ser liderado exclusivamente pelo criminalista mineiro Sérgio Leonardo.

Leonardo, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais, possui histórico de atuação em investigações de grande repercussão nacional, incluindo processos relacionados ao Mensalão e à Operação Lava Jato. Nos bastidores, investigadores consideraram a mudança relevante para restabelecer confiança nas negociações.

PF aponta omissões em primeiros anexos

A primeira tentativa de colaboração foi rejeitada após avaliações técnicas da PF e da Procuradoria-Geral da República apontarem que os anexos apresentados continham informações consideradas superficiais diante do material já apreendido durante as investigações.

Entre os elementos já reunidos pela PF estão: espelhamento de nove celulares ligados a Daniel Vorcaro; mais de 8 mil documentos e registros digitais; dados extraídos de aparelhos do cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel; informações obtidas nos celulares do ex-operador Phillipi Mourão.

Segundo investigadores, o conteúdo obtido nos aparelhos indicaria a existência de esquemas mais amplos do que aqueles inicialmente admitidos pelo banqueiro nas minutas de colaboração.

Pressa para concluir acordo antes do calendário eleitoral

Nos bastidores, a PF e a PGR trabalham com a meta de concluir os depoimentos e formalizar eventual acordo de colaboração até julho. O objetivo é evitar que o processo seja contaminado pelo ambiente político das eleições de 2026 e pelas convenções partidárias.

A permanência de Vorcaro em uma Sala de Estado-Maior na superintendência da PF em Brasília, autorizada por André Mendonça mesmo após o STF formar maioria pela manutenção da prisão, foi interpretada por integrantes da defesa como um indicativo de que o magistrado considera útil uma possível colaboração, desde que acompanhada de provas robustas e verificáveis sobre supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

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