O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a articulação política para garantir a aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), no Senado Federal, em meio a um cenário de disputa e necessidade de quórum elevado para confirmação do indicado.
A estratégia envolve mudanças na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mobilização de senadores e controle de ausências, com o objetivo de evitar constrangimentos na sabatina e reduzir o risco de rejeição no plenário.
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Governo busca quórum elevado para aprovação
Para ser aprovado ao STF, Jorge Messias precisa de pelo menos 41 votos favoráveis, independentemente do número de parlamentares presentes. Aliados do governo avaliam que a margem será apertada e defendem a presença de um número elevado de senadores na votação.
Segundo interlocutores, o sucesso da indicação está diretamente ligado ao quórum. A avaliação é de que a presença de mais de 66 senadores aumenta as chances de atingir o número mínimo necessário de votos.
A mobilização já impacta a agenda de parlamentares. O senador Paulo Paim (PT-RS), por exemplo, decidiu adiar uma cirurgia considerada urgente para participar da sessão. Ele afirmou que pretende estar presente na votação mesmo com limitações físicas.
Mudanças na CCJ e estratégia política
Entre as medidas adotadas pelo governo está a substituição do senador Sergio Moro (PL-PR), crítico da indicação, por Renan Filho (MDB-AL) na CCJ. Também houve alteração na posição de Alessandro Vieira (MDB-SE), que passou a ocupar uma suplência menos relevante.
A expectativa do governo é garantir ao menos 16 votos favoráveis entre os 27 integrantes da comissão, etapa considerada decisiva antes da análise no plenário.
Nos bastidores, o desempenho na CCJ é visto como termômetro do ambiente político. Integrantes do Senado avaliam que uma eventual derrota nessa fase pode aumentar a pressão sobre o governo e influenciar negativamente o resultado final.
Resistência e disputa no Senado
Apesar da mobilização, o governo enfrenta resistência. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é apontado como um dos principais opositores da indicação e teria preferência por outro nome para o cargo.
Aliados do governo avaliam que a condução do Senado pode influenciar o resultado, seja por meio de estímulo à abstenção ou pela facilitação de ausências durante a votação.
A indicação também enfrenta questionamentos de parlamentares alinhados ao bolsonarismo, que prometem uma sabatina rigorosa ao candidato.
Articulação direta com senadores
Jorge Messias já se reuniu com mais de 75 senadores em busca de apoio, incluindo integrantes da oposição. A estratégia busca ampliar a base de sustentação e reduzir resistências antes da votação.
O cenário é de forte polarização e negociação intensa, em que cada voto é considerado decisivo para o desfecho da indicação.
Situação atual e próximos passos
A aprovação de Jorge Messias ao STF depende do desempenho na CCJ e da capacidade do governo de garantir quórum elevado no plenário do Senado. A votação ocorre em meio a articulações políticas e resistência de parte dos parlamentares.
Os próximos passos incluem a sabatina na comissão e a votação final no plenário, etapas que devem definir o futuro da indicação ao Supremo.