Eu duvido que alguém, tendo assistido com atenção toda a entrevista concedida por Lula ao Flow, ontem à noite, no mesmo horário em que seria realizado o debate da Globo, tenha chegado ao final sem reconhecer a dimensão da experiência política e humana daquele que hoje governa o Brasil.
Se, depois de ouvir suas respostas, alguém continuar dominado apenas pelo ódio, talvez já não esteja conseguindo distinguir argumentos de preconceitos, fatos de manipulações, divergências políticas de intolerância.
Lula não deixou de comentar sobre as questões que lhe foram apresentadas. Demonstrou conhecimento dos problemas que o Brasil enfrenta e apontou caminhos para buscar resolve-los. Prestou contas de sua trajetória à frente do governo do país, defendeu suas realizações e respondeu, com firmeza, às acusações de seus adversários.
É possível não gostar da sua voz. É possível considerar que ele está velho. É possível discordar de sua visão ideológica, de algumas de suas posições ou de determinadas decisões de seus governos. Tudo isso faz parte da democracia.
Mas é preciso reconhecer uma coisa: diante daquela entrevista estava um homem que experimentou viver na pobreza e, por isso mesmo, conhece de perto a dimensão da desigualdade social brasileira. Um homem sem diploma universitário que, durante seus governos, esteve à frente de uma ampla expansão das universidades e do ensino superior no país.
Muitos poderão dizer que falo pelo coração, que sou um apaixonado politicamente por Lula. Sim, falo também com o coração. Mas falo igualmente com a consciência crítica de quem viveu diferentes momentos da história brasileira e aprendeu que política não pode ser feita apenas de paixões, muito menos de ódio. O coração, quando não está contaminado pelo ódio, também pode pensar. Pode refletir. Pode distinguir. Pode escolher com consciência.
Foi por isso que, ao terminar a entrevista, já no fim da noite, fui dormir com uma sensação que há muito tempo não experimentava: esperança.
Esperança de que o Brasil continuará buscando um caminho de justiça social, redução das desigualdades e respeito à democracia. Esperança de que nossa soberania nacional continuará sendo defendida e de que o Brasil não aceitará transformar-se em instrumento dos interesses de qualquer potência estrangeira. Esperança, sobretudo, de que as urnas expressem a vontade soberana dos brasileiros e de que o país siga resistindo a qualquer tentativa de ruptura democrática.
Não sei o que cada eleitor decidirá no domingo. E ninguém deveria decidir por ele. Mas sei o que desejo para o meu país: um Brasil mais justo, menos desigual, soberano, democrático e capaz de decidir seu próprio destino.
Foi com essa esperança que fui dormir. E foi com ela que acordei hoje.