A expectativa dos brasileiros é simples e absolutamente legítima: antes da eleição de 4 de outubro, é preciso saber o caminho percorrido pelos mais de R$ 130 milhões que teriam sido destinados à produção de um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro e que poderia acabar transformado em peça de propaganda eleitoral para seu filho, candidato à Presidência da República.
Não estamos falando de alguns milhares de reais. Estamos falando de uma fortuna. Uma quantia superior a R$ 130 milhões, cuja origem e utilização precisam ser rigorosamente esclarecidas, especialmente porque os recursos teriam sido obtidos a partir de um pedido formulado por Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central das investigações envolvendo o Banco Master.
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A pergunta que permanece é inevitável: onde foi parar esse dinheiro? Até agora, não há transparência suficiente para responder de maneira satisfatória. Não se sabe, com clareza, quanto efetivamente foi empregado na produção do filme, quem recebeu os recursos, quais empresas foram contratadas, quais serviços foram realizados e, principalmente, se todo o montante teve a finalidade para a qual teria sido solicitado. E é exatamente aí que o silêncio se torna politicamente incômodo.
Quando o caso veio a público, Flávio Bolsonaro prometeu apresentar, em 30 dias, todas as explicações. Já se passaram mais de 90 dias. E as explicações não vieram. Em vez de documentos, contratos, notas fiscais e prestação de contas, o que se ouviu foi que o assunto seria uma “página virada”. Ora, página virada para quem? Para o candidato, talvez. Para os brasileiros, não. Muito menos quando estamos falando de mais de R$ 130 milhões e de recursos cuja origem e destinação ainda suscitam perguntas.
É preciso dizer com toda clareza: quem pretende governar o Brasil não pode tratar transparência como inconveniência eleitoral. Não basta dizer que o assunto está encerrado. Quem não deve não precisa temer a abertura dos documentos. E, diante de uma quantia dessa magnitude, a sociedade tem o direito de exigir muito mais do que explicações genéricas.
Agora, com as investigações determinadas no âmbito do STF, inclusive pelo ministro Flávio Dino, espera-se que as autoridades consigam esclarecer aquilo que o candidato não explicou espontaneamente.
E seria extremamente grave se chegássemos ao dia 4 de outubro ainda sem saber o destino de uma soma tão expressiva de dinheiro relacionada diretamente à campanha de um candidato à Presidência da República. Eleição não pode ser território de sombras.
Afinal, quem pretende receber o voto para administrar os recursos públicos do Brasil precisa, antes de tudo, demonstrar que sabe prestar contas dos recursos que já passaram por suas mãos.
Que se abram os documentos. Que se investigue. Que se esclareça tudo. Antes da eleição. Não depois dela.
