Assisti ontem à entrevista concedida pelo presidente Lula, na condição de candidato à reeleição, à Rede Globo, logo após o Jornal Nacional. Confesso que fiquei em dúvida: o convite era para uma sabatina ou para um interrogatório?
A insistência dos entrevistadores sobre o caso Lulinha ocupou uma parcela exagerada do tempo. Era, evidentemente, um assunto que precisava ser abordado. Mas a insistência revelou uma preocupação maior em colocar o presidente na defensiva do que em conhecer suas propostas para o futuro do país.
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Uma entrevista com um candidato à Presidência da República deveria priorizar, sobretudo, o programa de governo: economia, saúde, educação, emprego, segurança pública, infraestrutura, desigualdade social e os grandes desafios que o Brasil terá de enfrentar.
Mas quase não houve tempo para isso.
Ainda assim, Lula não se deixou intimidar. Manteve a serenidade, respondeu com firmeza e demonstrou domínio sobre os temas que lhe foram apresentados. Quando questionado sobre a dívida pública, aproveitou para dar uma verdadeira aula de economia à jornalista.
Um dos momentos mais curiosos ocorreu quando Lula criticou o famoso PowerPoint apresentado por Deltan Dallagnol durante a Lava Jato, amplamente repercutido pela Globo.
O entrevistador, porém, entendeu que o presidente se referia ao PowerPoint utilizado pela própria emissora na cobertura do caso Master, no qual Lula teria sido indevidamente apresentado como integrante do esquema.
Mordeu a isca.
Ao tentar rebater a crítica, acabou reconhecendo que a Globo havia cometido um erro e que posteriormente se retratara pela reportagem equivocada. Um daqueles momentos em que a pergunta acaba produzindo uma resposta diferente daquela que o entrevistador pretendia obter.
No restante da entrevista, Lula mostrou tranquilidade, experiência e segurança. Não se deixou levar pelas provocações e respondeu aos questionamentos sem perder o controle.
Ao final, ficou a impressão de que as armadilhas preparadas para colocá-lo na defensiva não produziram o efeito esperado.
Pelo contrário.
Lula saiu maior do que entrou.
E, certamente, maior do que alguns esperavam.
Saiu gigante.
