Para abordar a performance de Renan Santos na quarta-feira, em entrevista à TV Globo conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli — em que ele defendeu a implantação de bomba nuclear no país —, antes vamos lembrar o caso do atual presidente Zelensky, da Ucrânia em guerra, eleito como ator, comediante e produtor de televisão, sem nenhuma experiência política e de gestão de um país. Deu no que deu.
No caso de Renan Santos, guardadas as proporções, nascido em 1984, em São Paulo, e criado no bairro da Mooca, ele se autodefine, em seu site, como escritor, presidente do Missão e guitarrista. Eis o resumo da ópera, adicionando sua vinculação com o MBL (Movimento Brasil Livre) na época do governo Dilma, a serviço de movimentos da ultradireita.
Siga o canal do WSCOM no Whatsapp.
Conceitos e realidade
Renan Santos se apresenta como livre-atirador na disputa, mas os conceitos e propostas que apresenta ao eleitorado brasileiro o tipificam com um olhar comprometido e aliado ao conservadorismo ideológico de direita, sem consistência política transformadora, limitando-se como proponente a se colocar contra o establishment e com teses que visam apenas a gerar impacto imediatista.
Ele, repetidas vezes, disse propor a adoção da bomba nuclear pelo Brasil para o país se impor no mundo, mas não aceita a comparação com o que faz a Coreia do Norte, por exemplo.
Na entrevista à TV Globo, ele admitiu lançar mão de exceções constitucionais para combater o crime organizado.
Em síntese, durante o longo tempo da entrevista, ele não soube se credenciar como alternativa viável para conduzir os destinos de um país com a dimensão histórica e geográfica do Brasil.
Como fruto das redes sociais e de movimentos políticos localizados, está tendo a oportunidade luxuosa de se tornar conhecido no país, embora esteja muito longe de oferecer um projeto de futuro consistente.
Eis o resumo da ópera.
Última
“O olho que existe / é o que vê”
