Por Paulo Amilton Maia Leite Filho
A relação entre instituições políticas e desempenho econômico torna-se particularmente visível em momentos de crise financeira ou escândalos envolvendo o sistema bancário. O caso do Banco Master permite observar como fragilidades institucionais, relações políticas espúrias e problemas regulatórios podem afetar a confiança econômica, a estabilidade financeira e a percepção de risco sistêmico.
Em economias modernas, bancos não são apenas intermediários financeiros. Eles desempenham função essencial na circulação de crédito, no financiamento do investimento e na estabilidade monetária. Quando surgem dúvidas sobre a solidez de uma instituição financeira, os efeitos podem ultrapassar o próprio banco e atingir a confiança de investidores, de consumidores e de agentes econômicos em geral.
Nesse contexto, instituições políticas, especialmente partidos políticos, Congresso, órgãos reguladores e executivo tornam-se fundamentais para determinar como o sistema reage a crises financeiras.
O funcionamento saudável do sistema bancário depende de credibilidade institucional. Bancos centrais, agências reguladoras e governos precisam transmitir confiança de que regras prudenciais serão respeitadas e que não haverá favorecimento político indevido.
As discussões públicas envolvendo o Banco Master levantaram preocupações sobre exposição a ativos de maior risco, crescimento acelerado e estratégias agressivas de captação financeira. Em cenários assim, o mercado passa a observar não apenas os fundamentos econômicos do banco, mas também a qualidade das instituições responsáveis pela supervisão financeira.
No entanto, o caso Master extrapolou, e muito, a esfera econômica e adentrou na esfera político partidária. Para ter influências nas decisões das organizações como Banco Central, Supremo Tribunal Federal e outros, o dono banco Master cooptou vários atores políticos e desconfio que até partidos políticos inteiros.
Recentemente tivemos o caso do suposto financiamento, promoção ou apoio ao filme ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Tal episódio ultrapassa a esfera cultural ou eleitoral. Ele toca diretamente em um ponto central da economia política que é a relação entre confiança institucional, polarização política e desempenho econômico. Em economias emergentes como o Brasil, episódios dessa natureza podem influenciar expectativas, investimentos, estabilidade institucional e até a percepção internacional do país.
O primeiro ponto relevante é que mercados não operam apenas com indicadores objetivos, como inflação, juros ou crescimento do PIB. Eles também respondem a fatores subjetivos, especialmente previsibilidade institucional. Quando surgem controvérsias envolvendo financiamento político, uso de recursos privados ou públicos em obras de cunho ideológico, ou disputas sobre propaganda política disfarçada de produção cultural, aumenta a percepção de conflito político permanente. Essa percepção afeta expectativas de empresários, investidores e consumidores.
Por conta disto, quando a informação de que o áudio do pedido de financiamento cinematográfico foi confirmado por várias fontes, o real sofreu desvalorização e as taxa de juros futuras apresentaram sinais de elevação, indicando que o mercado passou a ver um horizonte menos róseo.
Isso ocorre em um contexto particularmente delicado, pois os juros já se encontram em um patamar elevado, o crescimento econômico indica moderação, com elevada dívida pública e baixa produtividade estrutural. Assim, qualquer elemento que amplifique a instabilidade institucional tende a produzir efeitos econômicos intensos.
A melhor frase que vi deste episodio foi “se piorar um pouco fica péssimo, mas se piorar muito ficará ótimo”. O que o analista queria dizer era, se novas revelações sobre a relação promíscua do filho do presidente com o dono do banco Master surgirem, mas não forem suficientes para convencê-lo a desistir da candidatura a presidente, seria péssimo para o mercado financeiro porque a tendência é que o presidente incumbente se mantenha no poder e a política econômica atual não sofra uma solução de continuidade. Nesta situação a instabilidade econômica tende a crescer quanto mais perto a data da eleição presidencial se aproximar.
Porém, se as notícias forem tais que precipite o falecimento da candidatura do filho 01 do antigo mandatário seria ótimo para o mercado financeiro, pois poderia surgir a possibilidade de um tércios que galvanize as atenções do eleitorado menos radical e possibilite a mudança da atual trajetória da política fiscal e monetária. Neste cenário uma discussão menos polarizada sobre o que fazer com aquelas políticas poderiam acontecer.
Se me perguntassem qual dos dois cenários acima eu acho que tende a acontecer, diria que o primeiro. Num grupo político que entende que beber detergente é uma ação política normal, nada de bom e salutar tende a sair. Como diria o Barão de Itararé, “do lugar que menos se espera que saia nada de bom, é deste lugar que não sai nada de bom mesmo”.

