{arquivo}Desde cedo da manhã que “chove” depoimentos incontáveis de gente de todas as raças e credos exaltando a performance de Frejat, ontem, no Busto de Tamandaré, dentro do projeto “Extremo Cultural”, organizado pela Prefeitura de João Pessoa. O comparecimento freqüente e numeroso, com uma multidão comportada querendo arte e não só comida, desqualifica sem nenhum tido de agressão a tentativa de pessoas qualificadas da Capital de querer criar “onda” contra os eventos na praia.
Há tempo que, volta e meia, a praia como bem comum anda ameaçada por setores elitistas de impedir o acesso de outras camadas sociais. O movimento localizado nesta direção expressa bem o desconforto que setores da elite têm com a convivência múltipla – e de multidão, porque se traduz ainda em poucas alternativas dessa gente usufruir da boa música e/ou programação cultural.
O show de Frejat, da mesma forma que todos os demais já passados, expressa a rigor um link de nossa cidade com as estrelas da Música Brasileira de qualidade, em especial o gen do rock nacional, logo ele que soube espetacularmente sobreviver à fase pós Barão Vermelho – e a estrela inigualável de Cazuza, mantendo performance em palco deslumbrante com canções elaboradas no melhor do nível do nosso cancioneiro.
Dito assim, se faz importante admitir e/ou compreender o desconforto de ricos que não aceitam conviver com menos favorecidos à sua frente, mesmo assim vamos buscar prevalecer o direito da maioria – esta encantada com a programação à beira-mar até porque tudo se dá em horário compatível, das 22 às 24 horas – e isto chama-se adequação em favor do bem maior de todos, e não de poucos que podem freqüentar praias fechadas da Europa.
Viva la democracia!