No ciclo da cana-de-açúcar no Brasil, por seu sabor, o mel de engenho era muito requisitado para degustação. Contudo os escravos, seus operadores artesanais, poucas oportunidades tinham em prová-lo. Quando lhes era permitido o faziam com tanta avidez que se lambuzavam.
Esse ditado popular veio dar sentido a um outro tipo de comportamento muito observado na sociedade contemporânea. São as atitudes e procedimentos de muitas pessoas que ao usufruirem de posições em nível social mais elevado, se sentem detentoras de maior poder do que as têm de fato. Exorbitam na sua autoridade e se expõem em condutas inadequadamente. É ai que se usa a expressão “quem nunca comeu mel, quando come se lambuza”.
Há um provérbio iugoslavo que diz: “quer conhecer um homem, dê-lhe poder ou fama”. Aí sim, pode-se avaliar verdadeiramente o seu caráter. Que “Rufem os tambores”. “Abram-se as cortinas”. Os deslumbrados se transformam, cheios de prepotência, inflados de insuportáveis arrogâncias. O sucesso rápido sobe-lhes à cabeça. O dinheiro, as mordomias, os prazeres, fascinam essas pessoas que se vêem acima do bem e do mal. Julgam-se onipotentes.
A “síndrome do poder” é uma manifestação de transtorno da personalidade. As pessoas, portadoras deste sintoma, quando desempenham funções em cargo de chefia, mesmo que sejam de pequena importância, gabam-se e abusam do seu “ status quo”, ainda que algumas vezes ilusório.
Tenho um amigo que costuma dizer: “a pior ressaca é a ressaca da embriaguez do poder”. Isso acontece porque essas pessoas, via de regra, não acreditam que o poder é efêmero, passageiro. E quando se vêem destronados mergulham num estado de depressão. Os que “se lambuzam no mel” normalmente são pessoas inseguras, incompetentes, gananciosas. Na convivência diária é muito fácil identificá-los• Integra a coletânea de textos que intitulei ‘REFLETINDO A SABEDORIA POPULAR (ditados, expressões e provérbios)”.
