UFPB: por que Margareth não assume Ricardo ?

{arquivo}A eleição da Universidade Federal da Paraíba chegou ao segundo turno, posto que nenhum dos candidatos obteve 50% mais um dos votos. Nesta sexta-feira, recém concluída, o CONSUNI – Conselho Universitário, maior instância de decisão da UFPB, acatou pedido de dezenas de Centros Acadêmicos (CAs) e da candidata Lúcia Guerra para que a votação ocorra 20 dias depois de terminada a greve dos professores e, como se presume, dos técnico-administrativos anunciando paralisação em breve.

O argumento aprovado por 23 a 10 (estes contra o adiamento) foi de que, de fato, a greve esvaziou a Universidade, sobretudo o segmento de alunos, daí a compreensão de fazer a votação com a participação de todos os setores.

A candidata Margareth Diniz, mais votada no primeiro turno, reproduziu o discurso critico considerando manobra inaceitável e até estudou a hipótese de recorrer à Justiça mas, ao que parece, desistiu do intento por força de abrigo legal para tamanha medida.

O fato real e cristalino é que a UFPB se prepara para um segundo turno ainda sem data da votação porque, encerrada a greve, o CONSUNI voltará a se reunir visando definir o dia D.

A REAÇÃO DE MARGARETH E A NEGATIVA DE ASSUMIR RICARDO

{arquivo}Democraticamente, como é do feitio dos filósofos – democratas do bairro da Torre, a Coluna expôs ontem (sexta-feira) por todo o dia, bem como ainda mantém à disposição dos internautas, um longo documento assinado pela candidata Margareth Diniz acusando-nos de parcialidade, imposturas e invencionices no trato da Sucessão da UFPb.

Mostrou-se mais irada porque não aceitou Análise anterior desta Coluna associando ela a um pequeno grupo de professores maus resolvidos, todos da linha de frente de sua campanha, adotando uma série de agressões pessoais contra quem avalia criticamente o desempenho da candidata de Oposição. Fui agredido por sua gente sectária, radical, e ela não aceita que consideremos um péssimo exemplo de sua campanha fomentar este tipo de comportamento. A agressão à minha pessoa mereceu Manchete no seu espaço de campanha virtual – e ela não chama isso de aproveitamento maléfico de estratégia de campanha.

Mas vou colocar os pontos nos iis. Conheço a professora Margareth Diniz muito mais antes do que muitos de seus apoiadores atuais. A vejo assim com muito respeito por mera coincidência de ter amigos (professores e funcionários) do ex-LTF, núcleo onde pontifica boa parte de sua base eleitoral. É desse tempo, lá atrás, que mantenho respeito e admiração ao trabalho cientifico dela, mas isso não exime que, enquanto gestora pública e ativista política, ela possa merecer análise e criticas.

Como candidata, ela precisa encarar o manequim público ao qual está submetida porque representa uma coletividade. Durante toda a pré e campanha nunca assaquei uma única critica à sua pessoa, mulher digna e capaz, entretanto, na condição de candidata e gestora ou compreende o exercício critico como normal ou vai se manter permitindo que seus assessores agridam pessoas decentes por amuo ou incapacidade de saber conviver com o debate.

RICARDO É A RAZÃO DA POPA E DA AGONIA

A professora Margareth Diniz, repito digna candidata de Oposição, quer desviar a questão para o campo pessoal, mas a raiz de toda a sua reação, a reação do núcleo de campanha é porque reproduzimos ao longo da campanha diversos fatos a comprovar o envolvimento do governador Ricardo Coutinho, funcionário licenciado do HU – onde ela venceu no primeiro turno, aliás – no processo de formação e de campanha oposicionista.

Mas vamos relembrar para que a professora ou alguém ao se sentir acometido de um lapso de memória possa compreender como tudo se deu até agora.

A começar pelo gen do passado. O atual Chefe de Gabinete do governador, poderoso professor Lúcio Flávio, que já teve Margareth como vice na disputa passada contra o reitor Romulo Polari, tem envolvimento com a campanha desde o nascedouro e é figura exponencial no comando do processo de campanha.

Tem mais: a sucessão de agora poderia ter como candidata a professora Cida Ramos, ex-diretora do CCHLA – atualmente exercendo Secretaria no Governo do Estado, mas o governador a “convenceu” de não participar da disputa em face de acordos e desdobramentos que se materializarão em 2014 (na sucessão do governador). Cida, líder a partir das Humanas, seria mais um obstáculo no caminho de Margareth.

Outros detalhes da vinculação: destaque-se na campanha de Margareth o trabalho nas Redes Sociais produzido pelo expert no setor, Xhico Raimerson. O fato seria considerado normal se Xhico não fosse simplesmente o Diretor de Redes Sociais da Secom estadual e o “homem” forte de RC na campanha de 2010 produzindo ações exatamente nas Redes Sociais.

Mais coincidência: a campanha da candidata em primeiro turno teve estrutura profissional que na universidade não se vê facilmente porque custa caro. É preciso dinheiro, grana, porque com amadorismo nada se eleva, como se deu diante da visibilidade do aparato de reta final de campanha. E nesse contexto, eis que o Divino Espirito Santo a presenteou com o apoio “voluntário” da SIN e do competente Ruy Dantas. Mas quem são esses exponenciais? São agência e proprietário (além de multimídia capaz) de uma das mais fortes empresas de propaganda hoje prestando serviço ao governador Ricardo Coutinho.

Aliás, no dia de votação do primeiro turno, lembrei-me do tempo de Arena, PDS, etc quando a máquina fazia questão de se apresentar poderosa. E isso é inegável, todos sabem do que trato.

Tem mais, muito mais, mas vamos expondo na medida e hora certa!

Em síntese, não há dolo nenhum no apoiamento de Ricardo Coutinho à campanha da professora Margareth que, na resposta à Coluna disse: “Não recebi nenhuma ajuda financeira do governo estadual ou municipal” – e isso é verdadeiro, mas mais uma vez ela perdeu a oportunidade de afirmar aos quatro cantos: “Não quero, não aceito e nem permito apoio de Ricardo Coutinho nem de nenhuma liderança política externa à UFPB, porque defendo a autonomia e independência de nossa instituição!”.

Só que ela não pode dizer isso, embora esteja novamente desafiada a fazê-lo porque, lembrando a passagem bíblica repete Pedro negando a verdade que é preciso ser assumida, sob pena de fazer qualquer personagem menor por não ter coragem de assumir as verdades.

Por essas e outras, desafio a professora Margareth Diniz a provar o contrário do que agora exponho.

Como disse, tem mais sempre a respeitando pelo valor que ela tem e merece. Mas precisa assumir seu principal apoiador, já não mais invisível.

E a UFPB vai aceitar isso?

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“ O olho que existe/ é o que vê…”

 

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