{arquivo}Domingo não é só dia de festa democrática no PT. Tem mais motivo de celebração na Serra da Borborema para onde Ronaldo Cunha Lima resolveu migrar e construir sua moradia, sua principal referência para nutrir o espírito humano. É de lá, do alto de seu pensamento, que ele contempla a história verdadeira de sua alma e se vê confortado.
Recatado, como é dado aos pensadores / trovadores em reclusão voluntária, ele percebe a tudo e vagueia silencioso sobre os fatos que na atualidade se multiplicam em cachoeira, mas ultimamente somente confidenciando a poucos seu pensar profundo de homem diferenciado nas várias facetas da vida: pai, poeta, líder político, tribuno e apaixonado pela invenção de apaixonar, como é a poesia.
Foi ela quem o conduziu até aqui. Todas as demais facetas imperiosas, à exceção do amor incomum à família, ficaram menores quando Ronaldo resolveu se “contaminar” pelos Versos Íntimos de Augusto para se credenciar como desbravador das rimas, cultor maneiro das palavras sem se importar das dores e ciladas que a vida lhe deu.
Já se vêem rugas sobre seu rosto de encantador como que querendo assinalar que é indispensável entender que tudo passa, tudo passará, mas nunca sem a imperiosa necessidade de cultuar e reconhecer a obra completa de Ronaldo pelo conjunto de bondades por ele construída.
Certamente que a comemoração de hoje terá contornos diferentes, conceitualmente em novo formato, mas nada disso impede que sua história seja mantida em celebração por tanta gente que aprendeu a gostar dele sem um pingo de troco qualquer. Só por pura e verdadeira amizade, mesmo por quem anda à distância.
Ronaldo, enquanto vida e expectativa, é a poesia agora calejada e reclusa formatando o futuro do tamanho que Deus lhe der, embora se mantendo como referência máxima de um homem bom e imprescindível mesmo quando diante dos pecados – e quem não os tem-, sempre se mostrando devoto de São José, o mesmo santo no qual os agricultores amanhã lhe entregam o destino das chuvas para regar vidas e almas.
Ronaldo é isso: amor de gente, condutor ambulante da poesia e de categoria de político em extinção. Por essas e outras sempre se fez apaixonante.

