São Paulo concentra 4 dos 10 municípios brasileiros mais afetados por tarifas dos EUA

Tarifaço de Trump atinge indústria paulista e lidera impactos no Brasil

A nova ofensiva tarifária promovida pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos atingirá em cheio o parque fabril paulista. Um levantamento elaborado pelo jornal O Estado de S. Paulo, com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), aponta que quatro dos dez municípios brasileiros mais prejudicados pelas sobretaxas estão no estado de São Paulo.

A lista nacional é encabeçada por Piracicaba, seguida pela capital paulista na segunda posição. O alto nível de exposição comercial do estado gera um impasse político para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais aliados do bolsonarismo e entusiasta declarado do presidente norte-americano no Brasil, que até o momento não se manifestou oficialmente sobre os danos causados aos produtores locais.

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As novas sobretaxas adotadas por Washington combinam duas medidas consecutivas e chegam ao patamar acumulado de 37,5%:

  1. Primeira alíquota (25%): Em vigor desde a quarta-feira (22), sob a justificativa da Casa Branca de combater supostas práticas desleais, incluindo restrições ao Pix;

  2. Segunda alíquota (12,5%): Anunciada na quinta-feira (23) e em vigor desde a sexta-feira (24), sob pretexto de combate ao trabalho forçado.

Insumos afetados e isolamento do setor metalmecânico

Entre os principais grupos de produtos submetidos à dupla tributação estão madeira, máquinas e equipamentos, rochas naturais, calçados, gorduras vegetais e animais, e armas. Commodities como combustíveis, carnes, café e suco de laranja ficaram de fora do pacote, mas o impacto sobre bens manufaturados atinge o coração da indústria de transformação.

Em Piracicaba, polo das indústrias metalmecânica, química e sucroalcooleira, o Sindicato Patronal das Indústrias do Setor Metalmecânico (Simespi) calcula que pelo menos 50 empresas e 10 mil trabalhadores diretos sejam imediatamente afetados pela perda de competitividade no mercado externo.

“Qualquer redução na competitividade do etanol brasileiro ou retração dos investimentos nesse segmento acaba refletindo diretamente sobre a indústria metalmecânica, que fornece tecnologia, equipamentos e soluções para toda essa cadeia produtiva”, alertou Paulo Estevam Camargo, presidente do Simespi.

As 10 cidades brasileiras mais expostas ao tarifaço dos EUA

O mapeamento do MDIC/Amcham evidencia o peso do Sudeste e do Sul na pauta de exportações de manufaturados para o mercado norte-americano:

Posição Município Estado Principais Setores Vinculados
Piracicaba SP Máquinas, equipamentos agrícolas, químicos e etanol
São Paulo SP Máquinas, equipamentos e gorduras industriais
Joinville SC Setor metalmecânico e fundição
Caxias do Sul RS Autopeças e equipamentos de transporte
Campinas SP Tecnologia, máquinas e equipamentos de precisão
Belo Horizonte MG Mineração e máquinas industriais
Sertãozinho SP Caldeiraria pesada e setor sucroenergético
Curitiba PR Autoindústria e máquinas
Franca SP Indústria calçadista e artefatos de couro
10º Jaraguá do Sul SC Motores elétricos e bens de capital

Temor de retaliações e Lei da Reciprocidade

Além dos prejuízos diretos provocados pelo encarecimento dos produtos nos EUA, empresários e lideranças industriais acompanham com receio a possibilidade de o governo federal brasileiro acionar a Lei da Reciprocidade Econômica contra produtos norte-americanos.

A avaliação do setor produtivo é de que uma guerra comercial aberta pode encarecer a importação de insumos de alta tecnologia e paralisar investimentos de longo prazo no país. “A escalada de medidas retaliatórias tende a aumentar a insegurança nas relações comerciais, elevar custos e dificultar ainda mais o ambiente de negócios”, completou o presidente do Simespi.

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