Para Mano Duda
{arquivo}Todo fim de ano é assim: a audiência do 25 de dezembro, Dia de Natal, atrai como mais importante programa de TV o show anual de Roberto Carlos, fruto de contrato com a Rede Globo. Neste sábado, pela primeira vez, ele cantou para uma multidão na praia de Copacabana.
A maior parte mesmo não estava nas areias cariocas, mas defronte das TVs de plasma ou de formato ainda anterior, onde milhões de pessoas / telespectadoras se revezaram na nutrição de um encantamento do imaginário brasileiro incomum, às vezes incomprensivel.
Como pode, o mesmo personagem, o repertório de tanto tempo, a doçura repetitiva de sempre embriagar gerações diversas espalhadas pelo Brasil afora? Só a aura e história dele explicam.
Será por que seu trunfo é o amor em meio a letras de trato do desencanto, nuns momentos, e noutros da conformação com a esperança de poder nutrir a fé no futuro?
Roberto é a ampla síntese de um tempo antigo renovado com a mesma maestria de agora revezando tantas canções amorosas com a religiosidade serena de um ator da esperança brasileira que, mesmo levando em conta ou não os estragos da vida política nacional diante dos conflitos – inclusive ideológicos, anos 60/70 – , se consolidou como unanimidade brasileira sem ser burra.
Seja como for me contento com uma de suas canções (LADY LAURA) exibidas no show deste sábado, porque me flagra nu na saudade de um dos maiores bens e razão de minha vida – Maria Julia ( minha mãe in memorian), a parte mais importante da vida, agora só presente na saudade.
A canção, na verdade, serve para todos que ainda têm mãe e muitas das vezes não dão a importância e carinho devidos.
LADY LAURA
Tenho às vezes vontade de ser
Novamente um menino
E na hora do meu desespero
Gritar por você
Te pedir que me abrace
E me leve de volta pra casa
E me conte uma história bonita
E me faça dormir
Só queria ouvir sua voz
Me dizendo sorrindo
Aproveite o seu tempo
Você ainda é um menino
Apesar de distância e do tempo
Eu não posso esconder
Tudo isso eu às vezes preciso escutar de você
Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conta uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura
Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me abrace forte
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura
Quantas vezes me sinto perdido
No meio da noite
Com problemas e angústias
Que só gente grande é que tem
Me afagando os cabelos
Você certamente diria
Amanhã de manhã você vai se sair muito bem
Quando eu era criança
Podia chorar nos seus braços
E ouvir tanta coisa bonita
Na minha aflição
Nos momentos alegres
Sentado ao seu lado, eu sorria
E, nas horas difíceis
Podia apertar sua mão
Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conta uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura
Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me abrace forte
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura
Tenho às vezes vontade de ser
Novamente um menino
Muito embora você sempre acha que eu ainda sou
Toda vez que eu te abraço e te beijo
Sem nada dizer
Você diz tudo que eu preciso
Escutar de você….