A crise ofuscou a despedida

SÃO PAULO – Por tudo o que acompanhei desde a retomada dos trabalhos legislativos na Câmara de João Pessoa, a impressão bem clara registrada até hoje é de que o prefeito Ricardo Coutinho não fez a despedida apoteótica por ser a última retomada legislativa como chefe do executivo porque vai se desincompatibilizar em abril, em face da Oposição ter resolvido melar a cena.

Havia presença maciça dos assessores, algo normal e previsível, mas desde a hora em que se deu como aberto o semestre legislativo nem de longe Ricardo se impôs nos mesmos moldes de antes no aspecto soberano.

Ficou como saldo a impressão de contexto incompleto, cenário sem deslumbramento como despedida mesmo, uma vez que a perturbação oposicionista tomou conta e repercute ainda hoje.

Um expert de legislativo municipal disse à Coluna que foi a primeira vez que um prefeito da Capital não entrou pelas portas da frente com direito à banda de música, ao contrário, adentrou ao legislativo e dele se ausentou pela parte de trás.

A rigor, Ricardo não pode fazer a fala apoteótica e sem assim faze-lo já percebeu que vai enfrentar o roído permanente de seus opositores, agora em situação diferente porque saiu da fácil condição de estilingue, faz tempo, e hoje é vidraça num contexto que só começou a gerar desconfortos na sua caminhada política.

De fato, ficou faltando um discurso mais forte.

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